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PAPER 183: Projeto de País (EU SOU BRASIL!!!)

Tema: “Eleições 2026: O ‘NOVO NORMAL’ ”

“A casa (País) com iminência de incêndio contratado nas próximas eleições, e os residentes (Partidos Políticos que deveriam representar o povo) jogando tranca e/ou promovendo festas, felizes.”

Autor anônimo

 

“A tempestade perfeita e o Brasil repetindo erros”, Estadão 25/04/2026 p.B2, trecho do artigo de Adriano Pires, “O fechamento do Estreito de Ormuz não é apenas uma crise de petróleo. É algo muito mais sério, e o mundo ainda não entendeu bem a diferença.” (…) (…) “Mas o que raramente se conta é que o mesmo gargalo é uma das principais artérias do mercado global de fertilizantes.” (…) (…) “O Brasil alimenta o mundo, mas importa mais de 85% dos fertilizantes que consome. Os fertilizantes chegam a representar 40% do custo de produção de determinadas lavouras.” (…) (…) “Diante dessa tempestade perfeita em que passaremos a viver um novo normal, o atual governo brasileiro insiste na política do retrovisor repetindo os erros de sempre.”

O texto a seguir transcrito, parte do artigo da autoria de Marcos Jank “Os gargalos do planeta e os riscos ao agronegócio”, Estadão 05/04/2026 p.C10 e C11, com subtítulo “Guerra trás à tona uma antiga lição sobre comércio e poder” (…), cuja íntegra está disponível no “site” www.conselhobrasilnacao.org.

(…) O ‘NOVO NORMAL’. A crise de 2026 não inventou vulnerabilidades, ela as tornou visíveis. O Brasil tem repetido, em intervalos cada vez menores, o mesmo roteiro: choque geopolítico externo, aumento de custos de insumos, pressão sobre margens do produtor, risco de desabastecimento. Isso aconteceu com a guerra da Ucrânia em 2022 e agora acontece com Ormuz.

Cada crise é tratada como excepcional. Mas a recorrência deveria nos dizer algo: não são exceções. São a nova normalidade de um mundo onde a geopolítica voltou a ser o principal fator de risco para as cadeias globais de abastecimento. Um país que produz 350 milhões de toneladas de grãos por safra, que lidera as exportações mundiais de proteínas animais, e que alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, não pode aceitar conviver indefinidamente com 85% de dependência externa em fertilizantes, sem avançar na diversificação de fornecedores, na produção doméstica e na criação de reservas estratégicas. A geografia física muda pouco. A geopolítica – a influência da geografia sobre a política, consideradas as perspectivas e os interesses de cada lado envolvido – muda muito, e agora ainda mais rápido do que no passado.

Ormuz continuará sendo Ormuz daqui a cem anos. O que precisa mudar é a nossa estratégia de segurança de abastecimento. Um agronegócio que alimenta o mundo não pode ter seu calcanhar de Aquiles permanentemente exposto a cada nova turbulência nos gargalos do planeta.”

Marcos Jank é especialista no tema, professor de agronegócios globais do Insper, já presidiu a Única e foi diretor da BRF na Ásia, no entanto sem o necessário destaque em debates indispensáveis nas instâncias governamentais – nos governos federal e estaduais – mormente nesta fase histórica. Foi também entrevistado em 13/03/2026 p.B20 sob o título “Maiores inovações do agronegócio virão de IA e nanotecnologia” e em reportagem de 26/03/2026 p.B18 sob o título “Guerra será teste para o agro…” (…), ambas as matérias divulgadas pelo Estadão (ver “site” www.conselhobrasilnacao.org)

Desde 1990, ano da fundação do Conselho Brasil-Nação, temos insistido na divulgação de uma das mais importantes conclusões de nossos estudos e pesquisas: a estrutura atual ainda inadequada do Estado brasileiro, quando se objetiva o Desenvolvimento e a Democracia.

Indo direto ao ponto, a principal causa da inadequação é o Pacto Federativo em vigência. O Pacto Federativo que propusemos, (ver PAPER 40, 29/03/2023) na oportunidade histórica oferecida pela Revisão Constitucional, estabelece a hierarquia institucional para Administração Pública do País:

1) o Poder Central (os três poderes) deve limitar-se aos temas nacionais: Comércio Exterior e Diplomacia, Defesa, Justiça e Economia (Moeda);

2) os Poderes subnacionais, os Estados Federados, incumbirem-se do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Saúde de alta complexidade tecnológica, Logística de Transportes, Energia e Infraestrutura em geral, Política Industrial;

3) os Poderes subnacionais locais, os Municípios, incumbirem-se do Ensino da instrução básica que antecede o Ensino Superior (incluso o Ensino profissionalizante), da Saúde primária e secundária, da Segurança Pública, do Meio Ambiente, do Saneamento Básico, da Assistência Social, da gestão e controle local da Previdência Social (que terá diretrizes nacionais, com execução local).

A institucionalidade do Estado brasileiro tem sido equivocadamente depreciada, e mesmo, degradada perante, e pela opinião pública, por interesses ideológicos e não doutrinários – o que prejudica a prática do bem comum e do interesse nacional, para a realização do Desenvolvimento.

A propósito, cumpre evidenciar que o Estado é a estrutura política permanente e fundante na história dos povos, independente do Regime Político (democrático ou totalitário); de cujo êxito resulta a estabilidade institucional de cada Nação, e consequentemente sua condição econômica, vale dizer sua prosperidade, em que é insubstituível o recurso tecnológico do Planejamento Estratégico, executado e sediado em cada um dos três Entes Federativos.

A eficácia e eficiência do Federalismo fica elucidada no artigo da autoria do advogado e economista André Senna Duarte, sob o título “Crescimento econômico, democracia e federalismo”, divulgado pelo Valor Econômico em 30/05/2019, disponível no “site” www.conselhobrasilnaçao.org, subsidiada ainda pelos ensinamentos do professor da USP advogado Dalmo Dallari, já falecido, em especial o seu livro “O Estado Federal”.

A melhor opção para o Brasil de estrutura de Estado, para Democracia e Desenvolvimento, é o Federalismo, dado pelo exemplo do desempenho  dos EUA que, em pouco mais de 200 anos, partindo do zero tornaram-se o Império do mundo, e também pela Alemanha e Japão no pós-guerra, e outros exemplos como o do Canadá, da Austrália e ao final da Suíça (em regime autoritário não há como se comparar.

Não que devamos “copiar” a estrutura do Federalismo desses países (cada país tem suas peculiaridades), visto que eles não detêm a autoria do Federalismo, que é uma formulação de estrutura de Estado (geral) em 1604 de Johannes Althusius formado em Direito, filosofia e teologia, em 1581, em Colônia. Tornou-se diretor da Faculdade de Herborn em 1602, publicou sua obra mais importante POLÍTICA, e foi eleito oficial municipal na cidade de Emden (Alemanha). Segundo Althusius (1557-1638) “Política é a Arte de unir os homens entre si”. Portanto, o Federalismo é doutrina. Decisões parlamentares são quem definem e adequam em cada país.

O País tem caminhado a esmo, ao sabor de acidentes, oportunidades imprevistas e oportunistas, desprovido de orientação no médio e longo prazo, que permita a todos – governos, empresas, cidadãos – planejarem para  suas decisões serem tomadas em qualquer setor ou nível operacional. Assim, seu destino e definições de como governar  além das inadequações da estrutura do Estado, são afetados também por inexistência do indispensável instrumento tecnológico de Administração , necessário a qualquer órgão público ou instituição privada, que é o Planejamento Estratégico. Está na memória da atual geração a opinião expressa por Delfim Netto, “o Brasil está inadministrável”.

Neste ponto cabe a citação de Sêneca, “Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”.

Como muito bem conclui o autor do artigo, o engenheiro agrônomo Marcos Jank, “Ormuz continuará sendo Ormuz daqui a cem anos. O que precisa mudar é a nossa estratégia de segurança de abastecimento. Um agronegócio que alimenta o mundo não pode ter seu calcanhar de Aquiles permanentemente exposto a cada nova turbulência nos gargalos do planeta.”.

Acrescentamos ao pensamento do autor do artigo, o que precisa mudar é ter estratégia para melhor desempenho do Brasil na geopolítica.

O novo Pacto Federativo para o Brasil integra as Reformas estruturais muito propaladas por toda a Elite brasileira, porém nunca foram propostas! Foi parte integrante de nosso Anteprojeto de Constituição Brasil-Nação, em outubro/1993, ao Congresso Nacional investido de Poder Constituinte pelas Disposições Transitórias da Constituição de 1988, infelizmente sem resultado.

O País no “NOVO NORMAL” precisará de profissionais estrategistas formados por nossas universidades, para que não seja novidade e sensacionalista a entrevista da senadora Tereza Cristina, divulgada pelo Estadão de 01/04/2026 p.B9, sob o título “Brasil não instituiu políticas para produzir fertilizantes”. Pelo contrário essa constatação deverá ser eliminada, assim como outras decisões, no nível do Planejamento Estratégico do País – no nascedouro do agronegócio. Isto apenas informa que o Brasil não está ainda preparado para o “NOVO NORMAL”.

Igualmente, mesmo comentário é cabível, dada a publicação pelo Estadão de 12/04/2026 p.A10, uma entrevista de Ilques Barbosa Junior, Almirante de esquadra da Marinha, sob a manchete. “ ‘Se atacar Itaipu, acaba o Brasil’, afirma almirante.” (o texto completo está disponível no “site”).

Não menos importante é a publicidade do governo federal brasileiro, na edição do Estadão de 06/04/2026 p.A9, no espaço de meia página “Conteúdo patrocinado” sob o título “BNDES injeta R$ 1 bi por dia na economia brasileira”.

É muito perigoso: qual a estratégia para investimento de tanto dinheiro, pois se trata de R$ 365 bilhões de reais por ano, aplicado sem Planejamento Estratégico? Qual órgão governamental definiu tal investimento, quando não se trabalha no governo federal com Planejamento Estratégico (conhecido)? Nada contra “governos de plantão”, é cultura de governança habitual que temos tido.

Tem sido usual a divulgação de publicidades como essa; o que se coloca é que sem Planejamento Estratégico do País, pode ser desperdício de dinheiro, o contrário do que deve ser: investimento para o bem comum e o interesse nacional.

Aproveitamos alguns conceitos contidos no livro “A República Tecnológica – Tecnologia, política e o futuro do Ocidente” cuja opinião de Walter Isaacson (autor de “Steve Jobs, Leonardo da Vinci e Elon Musk) importa: “Os magos da revolução digital dos Estados Unidos criaram muitos produtos e aplicativos brilhantes. Mas, muitas vezes, eles se afastaram de um senso de propósito nacional ou bem comum. Uma obra fascinante e importante.”

Os autores do livro “A República Tecnológica” afirmam, p.193, “Começamos a dar preferência ao simbolismo da vitória, aos aspectos mais teatrais e exteriores que representam a expressão de nossa superioridade moral, em detrimento de avanços e melhorias, concretos, e muitas vezes quase invisíveis, no padrão e na qualidade de vida. Mesmo assim, é a busca obstinada por avanços e resultados que constitui a pedra fundamental da atitude do engenheiro em relação ao mundo, e a base de uma república tecnológica. Corremos o risco de abandonar um sistema moral ou ético voltado para os resultados – os resultados que mais interessam às pessoas (redução da fome, do crime e de doenças) – em favor de um discurso muito mais performativo, no qual a gestão das narrativas em relação aos resultados obscurece a importância dos resultados em si. E a reconstrução de uma república tecnológica exigirá, entre outros fatores, a reconstrução de uma sociedade de responsabilidade, uma cultura de pioneiros provenientes do setor de tecnologia, mas dotada do potencial de reformar o governo, uma em que não se atribua a liderança a ninguém que não tenha interesse no próprio êxito.

Outros setores do Estado e portanto do País têm recebido tratativas como a dos poucos exemplos de orientações acima, mas não há espaço para serem tratadas neste momento.

O foco neste PAPER 183 é melhorar a qualidade da Administração do País  quanto à estrutura institucional, visto que a qualidade das estruturas humanas será sempre consequência das eleições gerais democráticas, que periodicamente devem se realizar.

 

CONCLUSÃO

 

A geografia planetária está dada: 1) Estreito de Ormuz; 2) Estreito de Bab el- Mandeb; 3) Estreito de Malaca – A Porta da Ásia; 4) Estreitos do Bósforo e Dardanelos – A Rota dos Cereais no Mar Negro; 5) Canal de Suez – o Atalho do Comércio Ásia-Europa; 6) Canal do Panamá – O canal Atlântico – Pacífico; 7) Estreito de Gibraltar – A Porta para o Mediterrâneo.

A geopolítica é a ação humana dinâmica aplicada à geografia e às riquezas naturais, e integra todo o corpo institucional de todos os interesses dos  países e seus representantes das respectivas populações nacionais – Política, Comércio Exterior, Diplomacia, Indústria, Religiões, Sociologia, Demografia, etc.

O jogo está em andamento. A nova Ordem Mundial já está sendo montada, como os bem informados sabem; não há lugar para acomodados, preguiçosos, os “sabe-tudo”; vale 1% de inspiração e 99% de transpiração, sendo IA e Cibernética os novos instrumentos de trabalho – não utilizadas como consultores, como pode estar sendo concebido pelos desinformados, ou vendido pelos interessados, pois as negociações são com  instruídos diplomatas  ou fortes violentos (não dará para escolher ou optar – é o que vier). A leitura do pensamento expresso no artigo do professor José Goldemberg, divulgado pelo Estadão em 22/04/2026 p.A6 sob o título “Ciência e geopolítica”, elucida o que estamos buscando conceituar nesse PAPER 183 como o Brasil deve se preparar para atuar na geopolítica. Para tanto juntamos contribuições do domínio público por manifestações de pensadores através da imprensa escrita, da falada, da televisionada e virtual, cujas íntegras estão disponíveis no “site” www.conselhobrasilnacao.org.

Esse raciocínio, atitudes e decisões terão de ocorrer forçosamente em todos os setores, em todas as regiões (Estados Federados e Municípios) e empresas privadas, países, por consequência de Estratégias Nacionais de nosso país.

Cabe lembrar que JK , no discurso de inauguração de Brasília, declarou que estava sendo inaugurada a Cidade na qual seriam tomadas as grandes decisões nacionais; o contrário é que tem ocorrido, predominam decisões do Congresso Nacional sobre temas locais e regionais , inibindo as lideranças desses âmbitos da Estrutura do Estado brasileiro. Daí decorre em face da alta centralização política e administrativa do Estado brasileiro, a inexistência da formação de competentes lideranças políticas, a baixa e precária cidadania, que tanto têm prejudicado a Democracia e o Desenvolvimento.

Sanar a deficiência do contexto de proliferação de siglas partidárias, sem que qualquer uma delas seja um Partido Político respeitável e cumpridor de seu papel na Democracia e no Desenvolvimento brasileiros, não é para fracos! E sem Partidos (com P maiúsculo) o Brasil (país) enfraquece e a Nação perde sentido. Razão do Projeto Brasil-Nação.

 

A democracia fundada no Estado de Direito e na cidadania não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar, visando ao desenvolvimento econômico, político, cultural e social para tornar o Brasil a melhor nação do mundo para se viver bem.

 

 

Personalidades de artigos e citações neste PAPER :

. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

. Alexandre C. Karp, empresário cofundador e CEO da Palantir, formado em Direito pela Stanford, doutorado em Teoria Social pela Universidade Goethe.

. André Senna Duarte, advogado, professor de Economia na PUC-Rio

. Dalmo de Abreu Dallari, advogado, ex-professor de Direito da USP

. Delfim Netto, economista, professor ex-ministro da Economia, Fazenda, Agricultura e       Planejamento

. Ilques Barbosa Junior, almirante de esquadra

. José Goldemberg, foi reitor da USP e ministro de Ciência e Tecnologia do governo federal do Brasil.

. Juscelino Kubitschek, médico, ex-senador e ex-Presidente do Brasil

.  Marcos Jank,  engenheiro, professor de agronegócio no INSPER

. Nicholas W. Zaniska, empresário, formado e doutorado em Direito por Yale.

.  Sêneca, filósofo estoico da Roma Antiga, escritor, dramaturgo e conselheiro político

. Tereza Cristina, senadora da República.

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