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Alô, alô, companheiro Lula

Por Celso Ming, O Estado de S. Paulo, 07/10/2025

Não é verdade que os canais entre Estados Unidos e Brasil para definir tratativas entre os dois países estavam bloqueados. Não havia canal. Agora, há. É um canal precário, permeado de obstáculos e de incertezas, mas é um bom recomeço.

Deste primeiro encontro entre Trump e Lula por videochamada não se poderia esperar nenhum avanço nas negociações. Cumpriu a função de conferir a qualidade da química entre ambos no brevíssimo encontro nos bastidores da Conferência das Nações Unidas.

Lula chegou a apontar os dois maiores problemas entre os dois países: o supertarifaço às exportações do Brasil numa situação em que o Brasil é deficitário na relação comercial com os Estados Unidos e a imposição de represálias previstas na Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Tudo o que emperrava a abertura de canais entre os dois países eram questões políticas, como os documentos deixaram explícito.

O que se vai ver agora é se essas questões políticas foram removidas. Para isso, já ficaram previstos um encontro direto entre Trump e Lula, e negociações preliminares que, do lado dos Estados Unidos, serão conduzidas pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e, do lado do Brasil, pelos ministros Geraldo Alckmin, Mauro Vieira e Fernando Haddad.

De Marco Rubio não se espera a melhor empatia em relação ao governo Lula. De origem cubana, é um dos inimigos declarados do regime implantado na ilha pelos irmãos Castro. E, como tal, não nutre simpatias pelo presidente Lula e pelo PT, que apoiaram e continuam apoiando o governo de Cuba. Foi Marco Rubio que acolheu o jogo de Bolsonaro contra Lula e foi dele a principal iniciativa política do governo Trump que desembocou no supertarifaço ao Brasil.

Falta saber quanto a nova atitude do presidente Trump acabará por desfazer as teias políticas contra o governo Lula armadas por Rubio.

Trump é um homem de negócios. Deve ter ficado sensibilizado pelos argumentos dos empresários, tanto dos Estados Unidos como do Brasil, que demonstraram o tamanho das perdas para a economia dos Estados Unidos produzidas pela sua política.

Justifica-se a prudência sobre o ocorrido pelo governo Lula. Agora, é deixar que as conversas e os bons fluidos façam o serviço que tem de ser feito.

ARTIGO1308

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