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Colo do empresariado tem limite

Para o presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, é importante ter um governo liberal como o atual, mas o setor público precisa focar em melhorar os serviços básicos de saúde, segurança e educação.

O diretor-presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, disse ontem que os empresários no Brasil não podem ser a solução dos problemas do país. “Não dá para colocar tudo no colo do empresariado para resolver todas as questões do país. Há uma discussão ideológica exacerbada sendo que deveríamos estar discutindo eficiência”, disse.

Trajano, que participou de evento promovido pelo banco Credit Suisse em São Paulo, lembrou da China: “Nos últimos 20 anos, 30 anos a China foi o país que mais gerou e distribuiu riqueza no mundo. Houve abertura na economia e processo de redução do Estado.” E emendou: “Eu não quero que a minha rede seja uma superespecialista de segurança ou que corrija o sistema de educação porque o Estado tem que fazer isso de forma eficiente […].”

Ao defender um Estado independente da linha ideológica, Trajano citou uma frase do líder chinês Deng Xiaoping. “Não importa se o gato é branco ou preto, o importante é que cace o rato”, afirmou. “Não quero fazer papel de polícia nas minhas lojas […]. Não quero ter que corrigir sistema de educação, criando uma universidade corporativa, porque não é a melhor alocação de capital para meu acionista. O Estado precisa ser mais eficiente para entregar esses serviços”, disse o executivo.

Com vendas anuais acima de R$ 20 bilhoes, o Magazine Luiza é a segunda maior varejista de eletrônicos do pais. Ao falar dos R$ 5 bilhões captados em uma segunda rodada de oferta de ações em novembro passado, Trajano disse que está “supermotivado” com o novo ciclo econômico e, por meio do site do Magazine Luiza, quer ajudar milhões de empresas que não vendem ainda pela internet a se conectar a novos consumidores.

A empresa opera na venda direta e no “marketplace” (shopping virtual). “Estamos supermotivados com o novo ciclo econômico. Estou há 20 anos no varejo e nunca vi nada parecido, um contexto tão favorável para o negócio”, disse ele.

Fonte: Por Adriana Mattos — Valor Econômico – 29/01/2020

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