Para especialistas, prática é essencial no preparo de docência de qualidade
Meet Point reuniu Barbara Born, do Ceapea; Nicole Paulete, do Laboratório de Educação; Luis Paulo Martins, da Faculdade Sesi
Por Martina Medina, O Estado de S. Paulo, 25/09/2025
Para além da formação teórica continuada, a prática é essencial no preparo de uma docência de qualidade, defenderam especialistas durante o meet point “Quem quer ser professor?”, promovido pelo Estadão, nesta quinta-feira, 25.
“Ninguém imagina um médico sendo formado distante do hospital”, resumiu Barbara Born, diretora do Centro de Estudos Aplicados em Práticas de Ensino e Aprendizagem (Ceapea)/Instituto Península.
Segundo ela, há um entendimento de que a prática é menor e desintelectualiza o professor, quando, na verdade, colocar a mão na massa é um dos traços únicos da profissão.
“O salto de qualidade que falta na formação do professor e que vai se refletir na aprendizagem dos alunos na sala de aula virá quando a gente entender que, para ser alguém bom na prática, tenho que ter um entendimento profundo dela. Tem muita teoria nessa prática bem feita, mas ela não está dissociada de ir lá colocar a mão na massa, de ser técnica e estratégica.”
Com mediação de Renata Cafardo, repórter especial e colunista do Estadão, o meet point contou ainda com a presença de Luis Paulo Martins, gerente de ensino superior e diretor da Faculdade Sesi de Educação, e Nicole Paulet, diretora do Laboratório de Educação.
Nicole ressalta a necessidade do conhecimento curricular do professor ganhar vida na experiência prática em uma profissão extremamente complexa. “Uma situação de sala de aula, de interação contínua com crianças diversas, que trazem a cada dia uma novidade, para o bem ou para o mal, em termos de desafio e de potencialidade, exige um domínio desses conteúdos, mas exige uma transformação disso na prática, de organização de tempos, espaços e agrupamentos.”
É importante observar ainda que cada área do conhecimento traz desafios práticos particulares, que precisam ser conhecidos de maneira profunda pelo professor para que esse profissional seja capaz de planejar, usar ferramentas adequadas e trocar com pares e formadores experientes. “Esse contexto de troca a partir do que se aprende só através da prática é muito importante, porque não basta só a gente cuidar do que se ensina no contexto de uma sala de aula da pedagogia ou mesmo de uma formação continuada. O que o professor faz precisa, sim, de um apoio e de um contexto do coletivo.”
A formação deve incluir um modelo de residência educacional desde o primeiro dia de aula, como acontece na faculdade Sesi, sugere Martins. “É um modo que a gente teve de transformar essa formação de professores, trazendo a prática para a discussão da academia, porque nessa formação que hoje a gente tem, até os desafios da própria legislação dos documentos e a cultura acadêmica instalada no Brasil, a gente tem muitas discussões, muito conteúdo acadêmico e teórico, mas a prática, às vezes, fica à sorte do profissional.”
A recente mudança regulatória que não permite mais cursos de licenciatura e Pedagogia 100% a distância (EAD) é vista como um avanço por Born, ao demonstrar a valorização da agenda dos professores pelo Ministério da Educação (MEC). A diretora do Cepea pondera, no entanto, que a novidade precisa ser integrada às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). Isso porque, a depender do entendimento da legislação do decreto, a presencialidade dos cursos pode ser reduzida ao estágio supervisionado.
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