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Chefe de espionagem da China alerta que IA ameaça domínio do partido

Chen Yixin defende maior controle e supervisão governamental para impedir ciberataques, campanhas de desinformação e para competir militarmente com os EUA

Por The New York Times – Kenny Holston, O Estado de S. Paulo, 15/09/2026

 

O principal chefe de espionagem da China alertou que a inteligência artificial pode representar uma ameaça ao domínio do Partido Comunista Chinês. A declaração é a mais detalhada e de mais alto nível até agora sobre como Pequim enxerga os riscos de segurança da tecnologia.

A avaliação de Chen Yixin, chefe do Ministério da Segurança do Estado da China, reflete os alertas que dominam o debate sobre IA nos EUA, que se concentram na possibilidade de a tecnologia escapar do controle humano ou representar uma ameaça para a própria humanidade.

Em um artigo publicado na revista estatal China Cyberspace, Chen defendeu maior controle do partido sobre a IA e uma supervisão mais rigorosa. Segundo ele, isso é necessário para proteger a estabilidade política, se defender de ciberataques e campanhas de desinformação e competir militarmente com países como os EUA.

 

CONCORRÊNCIA. Chen se referiu especificamente a empresas de tecnologia dos EUA e seus modelos de IA – como Claude Mythos e GPT-5.5-Cyber – como exemplos de novas ameaças à segurança cibernética. Ele também descreveu o perigo de agências de inteligência utilizarem IA para “espionagem em larga escala” e ataques à infraestrutura da China.

O alerta deixa claro que a China considera os modelos de IA estrangeiros uma ameaça, segundo Henry Gao, professor de direito da Universidade de Gestão de Singapura (SMU, por sua sigla em inglês). Isso, na prática, estabelece um limite intransponível para as negociações entre americanos e chineses sobre os riscos da IA, previstas para antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, dia 24, em Washington.

“Pequim está entrando nessas negociações encarando a segurança da IA não como uma missão humanitária compartilhada, mas sob uma ótica de confronto”, disse Gao. Ele acrescentou que a China está deixando claro para as empresas de tecnologia chinesas e seus concorrentes estrangeiros que “a soberania dos dados e a segurança política jamais serão negociadas”.

Não é a primeira vez que a agência de segurança se pronuncia sobre a IA, mas trata-se da declaração mais abrangente e sinaliza a preocupação de Pequim. O chefe de segurança delineou diversas maneiras pelas quais a IA poderia representar uma ameaça para a China: minar a segurança do PC, ataques à infraestrutura, vazamento de informações sensíveis e competição militar.

 

NOVAS AMEAÇAS. O alerta soma-se à crescente preocupação das autoridades chinesas com os riscos da IA, uma tecnologia estratégica considerada crucial na disputa global contra os americanos. Ao mesmo tempo, as autoridades começaram a emitir alertas e novas diretrizes para regulamentar o setor.

Questionado se a indústria de IA da China representava uma ameaça aos EUA, Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa, afirmou que tais “narrativas” de confronto apenas dificultam a cooperação entre os dois países na regulamentação da IA.

Enquanto o chefe de segurança da China expressava as preocupações em relação à IA, o Ministério das Relações Exteriores de Pequim acusava empresas americanas de exagerarem os riscos da tecnologia – uma resposta aos apelos de alguns executivos do setor, como Dario Amodei, da Anthropic, para que Washington reprimisse as empresas chinesas.

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