Investir tudo em IA só para não ficar para trás é arriscado, diz executivo
Para CEO da Capgemini, ideal é não entrar muito cedo nem muito tarde na corrida
Por Rafael Farinaccio e Alice Labate, O Estado de S. Paulo, 19/09/2026
O Fomo (Fear of Missing Out, ou “medo de ficar de fora”) não é perder a festa mais disputada, mas sim o medo de uma empresa ficar para trás na corrida da inteligência artificial (IA). Para Aiman Ezzat, CEO da Capgemini – líder global em serviços de consultoria, tecnologia, engenharia e transformação digital –, o antídoto não é sair comprando toda novidade que aparece, mas desenvolver a agilidade.
Pela lógica de Ezzat, empresas precisam experimentar, mas sem apostar tudo em uma tecnologia que ainda está amadurecendo. A Capgemini mantém laboratórios para áreas como 6G, computação quântica e robótica para testar possibilidades antes de decidir onde vale a pena investir.
É uma espécie de namoro corporativo: conhece a tecnologia, faz uns testes e só depois pensa em relacionamento sério.
O raciocínio também vale para a própria inteligência artificial. Segundo Ezzat, existe um ponto ideal entre chegar cedo demais e esperar até que todo mundo já esteja usando a tecnologia. Investir pouco para acompanhar a evolução permite identificar quando uma solução começa a amadurecer e, aí sim, acelerar.
A lição para CEOs é simples: o objetivo não é prever qual tecnologia vai vencer, mas estar preparado para agir quando ela provar que funciona.
ESTRATÉGIA. Outro insight importante é tirar a IA da caixinha de tecnologia e colocá-la na mesa da estratégia. Para Ezzat, tratar a IA apenas como uma ferramenta para deixar financeiro, RH ou outras áreas mais eficientes limita o potencial da tecnologia.
A pergunta mais interessante para o CEO seria outra: como a IA pode mudar significativamente o negócio? Eficiência operacional é o começo; transformação é o jogo maior.
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