Burnham assume Partido Trabalhista e será o premiê do Reino Unido
Ex-prefeito da Grande Manchester recentemente eleito para o Parlamento encara a missão de conter o populismo de direita, uma novidade na política britânica
Por Gareth Fuller, O Estado de S. Paulo, 18/07/2026
Andy Burnham foi oficializado ontem como novo líder do Partido Trabalhista, último obstáculo para que ele assuma o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido na segundafeira. Ex-prefeito da Grande Manchester e apelidado de “Rei do Norte”, ele substituirá Keir Starmer, que anunciou sua saída no mês passado em meio a uma rebelião de sua bancada.
Burnham será o sétimo premiê britânico em dez anos e assume prometendo conter o avanço do partido populista de direita Reform UK, que lidera as pesquisas. As próximas eleições serão em 2029, o novo governo terá três anos para mudar o quadro.
A escolha foi confirmada durante uma conferência do Partido Trabalhista. Burnham disputou a liderança sem adversários, após conquistar o apoio de quase 95% dos deputados, o que impediu que qualquer outro candidato reunisse o número necessário de indicações.
RENÚNCIA. No mês passado, ele havia retornado ao Parlamento britânico ao vencer uma eleição especial para representar o distrito de Makerfield, dando início ao processo de quatro semanas que culminou em sua chegada ao poder em Londres.
Ontem, em seu primeiro discurso após assumir como líder trabalhista, Burnham prometeu dar continuidade ao trabalho de Keir Starmer, seu antecessor, e destacou medidas adotadas pelo último governo, incluindo a ampliação de direitos trabalhistas.
Starmer anunciou em junho que renunciaria, após dois anos no cargo. Sua passagem pelo governo foi marcada por erros políticos e falhas de julgamento que desgastaram sua posição dentro do partido e perante a opinião pública.
Ele chegou ao poder em 2024 com a promessa de “reconstrução” e entrega de grandes reformas econômicas e sociais, mas saiu com desaprovação nas alturas e um legado ainda difícil de avaliar a longo prazo.
POPULARIDADE. Embora a vitória de Starmer tenha encerrado uma sequência de 14 anos de governos conservadores, ele assumiu com pouca margem de confiança, corroída pela estagnação econômica, por tensões geopolíticas e por polêmicas, incluindo a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA, um nome com laços conhecidos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Apesar de popular, Burnham não terá vida fácil. Ele encara o desafio de reduzir o custo de vida, melhorar os serviços públicos e estimular o crescimento econômico – além de interromper o crescimento da direita populista no Reino Unido.
Para não ter o mesmo destino dos últimos seis premiês, Burnham conta com um carisma que Starmer nunca teve. Aos 56 anos, ele cultivou uma imagem de otimismo e ativismo, além de uma franqueza autêntica característica do norte da Inglaterra.
FUTEBOL. Burnham assumiu um papel de destaque durante a pandemia de covid-19, reclamando que os lockdowns do governo estavam penalizando regiões como a sua, o que lhe rendeu o apelido de “Rei do Norte”, quando ainda governava a Grande Manchester.
O novo primeiro-ministro britânico nasceu em Liverpool, mas no futebol é torcedor fanático do rival Everton, o outro clube da cidade. Burnham é frequentemente visto nas tribunas do estádio Goodison Park vestindo camisas retrô de seu time.
Em uma entrevista de 2009 ao jornal The Guardian, ele estabeleceu suas prioridades em uma declaração que ficou famosa: “Depois da minha família, as três coisas mais importantes da minha vida são o Everton Football Club, o Partido Trabalhista e a Igreja Católica”.
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