Investimentos em terras raras são recorde e chegam a US$ 2,17 bilhões
Dados da Agência Nacional de Mineração indicam que há hoje no Brasil 223 empresas nacionais e estrangeiras com autorização de pesquisas no segmento
Por Ivo Riberio, O Estado de S. Paulo, 17/08/2025
O Brasil passa por um momento de expansão na mineração de metais de terras raras, produtos que ganharam evidência no cenário geopolítico que envolve os Estados Unidos e a China por terem aplicações em alta tecnologia – desde um celular até foguetes teleguiados.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), no período entre 2025 e 2029 os investimentos previstos nas operações são de US$ 2,17 bilhões. Antes, na projeção válida para o período de 2024 a 2028 o valor previsto foi de US$ 1,46 bilhão.
Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que há hoje no País 223 empresas – nacionais e estrangeiras – com autorização de pesquisas nesse segmento, num u ni v e r s o d e 2.178 processos minerários.
A corrida por minérios de terras raras teve impulso no País nos últimos três anos e ganha evidência com o interesse externado pelo presidente americano, Donald Trump, que trava uma disputa com a China pelo domínio dos chamados minerais e metais críticos. Esses materiais são cruciais na fabricação de produtos de alta tecnologia, como smartphones, carros elétricos, equipamentos militares, painéis solares e turbinas eólicas.
Dono da segunda maior reserva mundial de minério de terras raras, atrás apenas da China, o Brasil vem atraindo grupos e mineradoras de diversos países, como Canadá, Austrália e Estados Unidos, com potencial para ser protagonista ( mais informações nas págs. B2 e B3).
Todos buscam, em vários Estados brasileiros, áreas de argilas iônicas, que contêm a maioria dos 17 elementos de terras raras (ETR): Lantânio, Cério, Praseodímio, Neodímio, Promécio, Samário, Európio, Gadolínio, Térbio, Disprósio, Hólmio, Érbio, Túlio, Itérbio, Lutécio, Escândio e Ítrio.
O número de concessões para pesquisa emitidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) alcançou quase 2 mil autorizações de 2023 para cá. Cerca de 20% disso foi para exploração em Minas Gerais, a maior parte na região de Poços de Caldas. Além de Minas, se destaca Goiás, onde já está em operação a primeira mineradora de metais de terras raras do País. Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Ceará e Amazonas também entraram na corrida.
Levantamento da revista especializada Brasil Mineral mostra investimentos em cerca de 20 projetos – desde o da Serra Verde Pesquisa e Mineração, em Minaçu (GO), concluído em 2024, até os que ainda iniciam etapas de pesquisa e prospecção.
De acordo com informações de consultorias especializadas, o mercado global de óxidos de terras raras está hoje avaliado em US$ 2 bilhões. Porém, as estimativas indicam que vai crescer muito e atingir US$ 12 bilhões até 2030.
ARTIGO1294
