As revoluções que mudaram o mundo e o futuro do Brasil
Por Rafael Cervone, O Estado de S. Paulo, 25/05/2026
Engenheiro têxtil formado pela FEI, é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
Em 2026, o Dia da Indústria no Brasil, 25 de maio, que homenageia seu patrono, Roberto Simonsen, falecido nessa data em 1948, tem especial significado, pois coincide com o transcurso dos 250 anos da instalação, em 1776, na Inglaterra, das máquinas a vapor do escocês James Watt, marco da primeira revolução industrial. Naquele mesmo ano, foi publicado o livro A Riqueza das Nações, do também escocês Adam Smith, base teórica do capitalismo.
A primeira revolução industrial inaugurou a era das máquinas, simbolizada no tear mecânico, enquanto os motores a vapor dinamizaram fábricas, navios e locomotivas. Na segunda, de meados do século 19 ao início do século 20, marcada pela eletricidade, as fábricas ganharam escala, graças ao fordismo e ao taylorismo. A terceira, a partir da 2.ª Guerra Mundial, desencadeou a evolução da eletrônica.
Está em curso a quarta revolução industrial, com a inteligência artificial e tecnologias disruptivas. O desafio é que o Brasil não assista a ela de modo passivo, pois nossa industrialização já havia começado tardiamente, sendo reprimida pela coroa portuguesa no período colonial. Somente após a chegada da família real, em 1808, surgiram algumas iniciativas.
O grande impulso veio após a 1.ª Guerra Mundial, quando a dificuldade das importações abriu espaço para a expansão do setor. Então, a indústria começou a mudar de modo mais acentuado nossa realidade socioeconômica, mas enfrentando o mindset dos diferentes governos, que não acompanharam a velocidade tecnológica das revoluções que mudaram o mundo.
Em 1928, nasceu o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), visando fomentar a atividade. No entanto, o setor teve sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) reduzida de 25% para 11% nas últimas quatro décadas. Tal recuo foi reflexo do paulatino agravamento dos conhecidos entraves estruturais de nossa economia e da ausência de políticas públicas eficazes.
É imperativo, além de solucionar os gargalos históricos que constituem o custo Brasil, promover a reindustrialização, como defendem as entidades representativas do setor e propõem iniciativas como a Nova Indústria Brasil (NIB). Porém, esse processo exige políticas de Estado, e não de governos, capazes de garantir previsibilidade para investimentos de longo prazo.
O País, se souber capitalizar a oportunidade histórica da Indústria 4.0, poderá ser um grande protagonista na geopolítica e na economia mundial, ratificando o vaticínio de Adam Smith de que a prosperidade nasce da capacidade de inovar, produzir em escala e empreender.
ARTIGO1375
