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Vaticano anuncia primeira encíclica papal sobre IA

Tema tem se mostrado uma preocupação recorrente de Leão XIV

Por Vatican News, O Estado de S. Paulo, 19/05/2026

 

O Vaticano anunciou ontem que Magnifica humanitas será o título da primeira encíclica de Leão XIV, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”. O documento será publicado no dia 25, mas com assinatura do papa de 15 de maio, no 135.º aniversário da promulgação da encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII.

A data historicamente é usada pelos pontífices católicos para documentos envolvendo a chamada Doutrina Social da Igreja. Além disso, os assuntos sociais são caros a Robert Prevost, que por isso escolheu o nome de Leão.

Não foram divulgados detalhes sobre o texto, mas não deve ficar distante de mensagens e ações recentes do americano. No dia 16 – justamente na data seguinte à assinatura da encíclica – foi instituída a Comissão Interdicasterial sobre a IA, com o objetivo de promover o intercâmbio de informações e projetos sobre o tema, “incluindo as políticas de uso dentro da Santa Sé”. Isso foi estabelecido pelo prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o cardeal Michael Czerny, com aval do papa.

Caberá a Czerny e a Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, um dos principais departamentos vaticanos, a apresentação de Magnifica humanitas, ao lado da professora Anna Rowlands, da Durham University (Reino Unido); de Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da IA; e da professora Leocadie Lushombo, docente de pensamento social católico na Jesuit School de Santa Clara (EUA).

Anteontem, ainda foi comemorado em vários países o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026. Para a data, Leão XIV escreveu um texto sob o lema “Preservar vozes e rostos humanos” em que convida a não perder de vista a centralidade da pessoa diante de uma tecnologia cada vez mais poderosa e onipresente. “Nesta época da IA, encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual devemos orientar toda inovação tecnológica.”

O desafio, detalha o pontífice no texto, não é impedir a inovação digital, mas melhor orientá-la. Na mensagem, ele também alerta para não renunciar ao talento humano, entregando-o às máquinas, porque assim não será possível crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. “Isso significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.”

Ele vai além ao citar as big techs. “Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve está apenas um pequeno grupo de empresas, (…) os arquitetos da inteligência artificial. Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controle oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar sutilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade – incluindo a história da Igreja –, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso.”

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