PAPER 176: Projeto de País (EU SOU BRASIL!!!)
Tema: “Eleições 2026” (4)
“A situação não comporta – esta é minha impressão – panos quentes nem meias medidas. Em um país sem partidos e até sem ideias, o medo e o interesse são os grandes agentes dos acontecimentos políticos.”
Osvaldo Aranha, 21/12/1936 (em carta ao então presidente Vargas, escrita e enviada de Buenos Aires, quando representava o Brasil na Conferência Interamericana para Manutenção da Paz.)
Este PAPER 176 retrata os debates na Reunião quinzenal do Conselho Brasil-Nação, realizada em 05/09/2025, para a qual todos os Conselheiros receberam previamente a literatura do conteúdo pertinente.
O jornal Valor Econômico de 27/08/2025 e o Estadão de 31/08/2025 divulgaram as matérias, a seguir relacionadas pelos seus respectivos títulos e as páginas dos jornais nas quais poderão ser acessadas, mediante a digitação do título, cujo inteiro teor está disponível no “site” www.conselhobrasilnacao.org
1) Valor Econômico: “Regulamentação da tributária deve ser apresentada e votada em setembro”, p.12/35;
2) Valor Econômico: “O crucial e o terrível no debate dos juros”, p.1/35;
3) Valor Econômico: “TCU investiga compra de livros didáticos pelo MEC”, p.1/35
4) Estadão: “Trump desata ‘guerra dos mapas’ antes das eleições de 2026”, com subtítulo, “Presidente pressiona republicanos para redesenhar distritos e manter controle da Câmara”, p.A14 e A15;
5) Estadão: “PARE”, p.A2.
Antes do início da exposição que se seguirá, esclarecemos que um dos nossos procedimentos, via PAPER, é mostrar que muitas das dificuldades que o país enfrenta, com frequência, estão divulgadas pela mídia; a falada, sejam pela TV ou pelas redes sociais (são informações fugazes, com menor possibilidade de memorização) e também a mídia escrita (os jornais).
Infelizmente, não é incomum pessoas sentirem-se modernizadas por não lerem mais os jornais diários – o que as levam a não reter as respectivas informações, e assim não se deterem para se conscientizar do grau de importância de determinado acontecimento. Isto seja em apoio, ou que soluções poderiam sugerir para superação das dificuldades – tudo no exercício da cidadania, para o que é preciso serem instituídos os instrumentos adequados de participação, e os governantes ouvi-los.
Esta é a matéria prima mais importante do Projeto Brasil-Nação para processar tratativas doutrinárias, sempre fundadas nos debates internos, que resultam em propostas para solucionar as dificuldades institucionais, ouvindo o povo.
Estamos, neste PAPER 176, nos propondo ao estudo de 5 (cinco) temas, no contexto de tantos outros veiculados nos mesmos dois exemplares dos jornais daqueles dois dias, citados acima, enquanto há muitos outros temas, bem como em tantos outros jornais , diariamente veiculados em todo imenso país em que vivemos.
O que fazemos no Conselho Brasil-Nação, todo cidadão pode e deveria fazer; aliás, do que a Política muito precisa, principalmente nesta fase do caminho. É inviável o sucesso de elaboração e posterior implantação de um Projeto de País, que não resulte de amplo debate com os cidadãos (a sociedade), e esteja enraizado na realidade viva da população. Independe de Direita ou Esquerda.
Item 1 – A Reforma tributária foi “vendida”, como solução simplificadora e de eficiência econômica, para a prática do processo tributário do consumo. O Conselho Brasil-Nação sempre discordou de uma Reforma tributária não ser precedida pela Reforma administrativa. Infelizmente o projeto que afinal veio a ser aprovado tem como seu escopo fundamental: a centralização de todos os tributos (ISS e ICMS) no poder central, para a seguir – sem saber com que critério e por quê – proceder à distribuição dos tributos gerados nos 26 Estados Federados e no Distrito Federal, e nos Municípios. Em consequência, os Entes Federativos subnacionais, que dispunham de relativas (insuficientes) receitas próprias, pela reforma aprovada tais receitas passarão à dependência de Brasília. E mais, como os tributos resultam da atividade produtiva, qual o incentivo, interesse e mesmo empenho das autoridades municipais para desenvolvê-la, já que sua receita virá de Brasília? Ao invés de trabalhar concluirão ser melhor fazer “lobby” em Brasília.
A propósito o artigo do economista Felipe Salto, publicado pelo Estadão de 22/06/2023 p.A5, sob o título “Reforma tributária: ao inferno à procura de luz”.
Infelizmente o legislador (Congresso Nacional) abandonou uma estrutura (embora necessitada de normais procedimentos de aperfeiçoamentos) Federalista (Federalismo) para adotar outra essencialmente de um Estado Unitário (qual seja um único gestor da sorte e interesses de 27 Entes Federativos estaduais e mais de 5.570 municipais, em detrimento do dispositivo constitucional pelo qual o Brasil é uma Federação de Estados federados e de municípios; segundo o conceituado jurista Miguel Reale – já falecido – a Constituição de 1988 criou um Federalismo Trino (União, Estados Federados e Municípios), ao invés de ser Dual (União e Estados Federados) como o dos EUA, e da Alemanha, Canadá e Austrália).
Qual a solução, da Reforma aprovada, para a Representação dos Entes Federativos subnacionais? Que poder têm os pequenos municípios para se defenderem , certamente, com sua precária Representação na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas?
Vamos para outro extremo, a cidade de São Paulo tem o orçamento de R$ 120 bilhões para 2025. Qual será o orçamento para 2026, aos olhos dos demais 53 representantes do Comitê Gestor, tendo em vista que só o prefeito, supostamente, conhece as necessidades da cidade de São Paulo? Aliás, o prefeito não se posicionou contra a Reforma!!! Embora em entrevista ao Estadão, no início da campanha pela aprovação, tenha se manifestado: “É preciso simplificar tributos sem deixar as cidades de joelhos”. Depois cedeu. Não assumiram posicionamento, o governador de Goiás, que inicialmente reagiu “Não venham me dizer para viver de mesada”, Estadão 16/06/2025, e também o de Minas Gerais ! O Comitê Gestor conhece as dificuldades de todas as cidades? É o prefeito de cada cidade que conhece suas próprias dificuldades e necessidades.
É tempo de lembrar o ensinamento de André Franco Montoro quando governador de São Paulo, no que respeita à descentralização.
Vejam o imbróglio no qual se meteu o País, com 1 Município (São Paulo) com 12 milhões de habitantes; 47 cidades com habitantes acima de 500 mil; 110 entre 200 e 500 mil; 177 entre 100 e 200 mil; 356 entre 50 e 100 mil; 1.107 entre 20 e 50 mil; 3801 de até 20 mil habitantes.
É a razão de trabalharmos no Conselho Brasil-Nação pugnando por Reformas estruturais com fundamento no Projeto Brasil-Nação, um Projeto de País. Considerando que cada município teve sua razão para ser constituido, só ele deve determinar seu destino. Da mesma forma cada Estado federado.
“Um projeto, enfim
Fonte: Folha de São Paulo, 1993 Autor: Clóvis Rossi
SÃO PAULO – Um grupo de empresários, quase todos também profissionais liberais, tem -se reunido, discretamente, nos últimos anos em busca de um projeto para o Brasil. São hoje cerca de 300 sócios de uma entidade chamada Brasil-Nação, que, desde o ano passado, promove um almoço semanal (às quintas feiras) no Instituto de Engenharia de São Paulo.
Não são nomes de visibilidade na mídia, mas conseguiram pôr de pé uma proposta que faz sentido. A essência dela é a instauração de um verdadeiro federalismo no Brasil, em lugar da esgarçada colcha de retalhos atual. Querem que União, estados e município tenham, cada um, total independência financeira. Cada esfera do governo teria que se auto sustentar.
No limite, chagam a defender a tese de que municípios inviáveis, por qualquer razão, “fechem”. Ou seja, fundam-se com outros para que possam sobreviver com base em uma estrutura tributária por eles mesmo desenhada, de acordo com as características econômico-sociais da região em que se inserem geograficamente.
O projeto, como é óbvio, implica um enorme desmonte da União. O Conselho Brasil-Nação propõe que o Ministério da Educação, por exemplo, desapareça. Em seu lugar, haveria apenas uma Secretaria, incumbida de fixar diretrizes gerais que seriam adaptadas às características de cada município. Os municípios é que seriam responsáveis por serviços tão essenciais como a educação básica e a saúde pública.
Os integrantes do grupo imaginam que uma Federação de verdade, mais ou menos nos moldes da norte-americana ou da alemã, seria o golpe de morte no fisiologismo, com o que se resgataria a credibilidade dos políticos.
Depois de inúmeras plenárias, no ano passado e neste ano, com especialistas de diferentes áreas, o Conselho Brasil-Nação acha que chegou a hora de abrir-se mais para mídia. Seus membros juram que não são candidatos a cargo algum mas querem acumular força para poderem interferir diretamente nos debates sobre as saídas para a crise. Já é um passo importante, em uma sociedade que parece vítima de anestesia permanente e irrecuperável.”
Cada Ente Federativo subnacional (Estados e Municípios) deve ter autonomia política (poderes para fazer suas próprias leis, dentre elas suas respectivas estruturas administrativas e as tributárias) e independência financeira (viver como puder – não por eterno socorro dos governadores e do presidente, na prática da Ciranda Fiscal, cultuando “ralos” perenes que determinam desequilíbrio orçamentário ou déficit fiscal). E o que é a ciranda fiscal? É a prática habitual de o prefeito se socorrer do governador, o governador se socorrer do presidente, e este da emissão de Títulos Públicos até que, ante a não credibilidade junto aos investidores ou eventual insolvência do governo federal, este venha a se socorrer da emissão de papel moeda, como já ocorreu no Brasil.
Item 2 – “O crucial e o terrível no debate dos juros”. (Ver “site”)
A matéria traz informações importantes para o debate dos juros, mas num Projeto de País, que é o objetivo do Conselho Brasil-Nação, não nos devemos perder de vista a História para compreender que este Tema nos amarra há séculos. No período de economia imperial extrativista (livro “História Econômica no Brasil”, autoria de Jorge Caldeira), por força estrutural a população resolvia seus problemas econômicos e também políticos, independentemente da força e governo do regime então vigente. Assim a população costeira foi se deslocando para o interior, movida pela ambição por riqueza (sobrevivência), que transformou o País à semelhança da moderna migração sulista para o norte do País, atraída pelo plantio da soja, e posteriormente por outras culturas, gerando atividade econômica diversificada, que resultou no Agronegócio.
Na verdade precisamos nos organizar, com ação vigorosa no curto e médio prazo, e visão de longo prazo, apesar dos atuais governantes (ver artigo no “site” sob o título “Luta de classes”, Gustavo Franco – Estadão 31/08/2025 p.B4).
Neste ponto julgamos oportuno trazer trecho do artigo a seguir transcrito, citado no PAPER 94 de 26/09/2020 e no PAPER 171 de 12/05/2025, do então diretor executivo do Bradesco Sr. Leandro Miranda, inspirado no momento de pânico da pandemia, no qual sugeriu:
(…) “O que fazer?
Trabalhe de forma séria e dedicada. E, acima de tudo, mantenha a serenidade. Vai acabar tudo bem. A história da humanidade nos mostra isso. É uma fase, mas ela tem que ser levada a sério. Mas, como fazer isso?
Planeje como um oriental, não importa o tempo que leve. Execute como um germânico, com atenção e seriedade em cada detalhe, em cada fase do percurso, levando o tempo necessário para executar o que foi planejado à risca. E, depois, faça marketing dos resultados como um norte-americano. Mas, mantenha serenidade. Tudo tem seu tempo.” (…)
Juros estão permanentemente na mídia. Juros altos decorrem da pressão que se origina na demanda por capital e/ou também pela iliquidez do tomador, impeditivo de cumprir suas obrigações – iliquidez, enquanto País, provém do desequilíbrio orçamentário (Despesas superiores às Receitas). Taxa de juros alta se resolve com economia forte, com desenvolvimento, com geração de riqueza (capital).
Redução dos juros não se faz com procedimentos de influência política procedentes de vontade de governante. O governante competente precisa ter o compromisso de aumentar a produção (o PIB), e assim aumentar a Receita tributária, para governar em regime de equilíbrio orçamentário.
O que o Conselho Brasil-Nação tem exposto, e integra suas propostas para ações imediatas, independente de resultados eleitorais que venham a compor o quadro institucional, em 2026, é o que o Brasil tem de fazer: uma geração de líderes estadistas que integre a Elite do País (governo, empreendedores e sociedade civil), tendo por objetivo Reduzir o custo do Estado e, ao mesmo tempo, elevar o patamar do PIB para que as RECEITAS TRIBUTÁRIAS sejam suficientes para suportar o CUSTO DO ESTADO, e mais, custear os investimentos que o Desenvolvimento venha requerer.
É frequente a mídia revelar a pressão de agentes econômicos pela redução só de gastos governamentais (cada qual, governo e empreendedores, puxando a “corda” para seu lado). E os empreendedores onde estão?
“Os empreendedores estão sendo chamados, pelos fatos, para exercer o protagonismo político que possa promover o Desenvolvimento Econômico do Brasil.
Quais são os fatos?
Um deles, o mais determinante, é a dívida pública federal atual de R$ 9,4 trilhões, que aos juros de 15%a.a. gera a despesa financeira de R$ 1,41 trilhões, ou seja, R$ 3,86 bilhões/dia; considerando que o governo federal arrecadou R$ 2,4 trilhões em 2024, este é o fato importante que inviabiliza o desenvolvimento do País. É um NÓ que amarra o Brasil; nó que aperta cada vez mais.
Esse é o legado às gerações vindouras, e que afeta também a nossa, em que a maioria já não está vivendo bem, embora seja o Brasil um país rico!
O livre mercado impõe risco empresarial, para gerar riqueza e renda através de remuneração laboral, também gerar receita tributária que suporta o custo do Estado e mais os investimentos necessários ao Desenvolvimento do País. É a razão pela qual os empreendedores estão sendo chamados!
O poder da capacidade produtiva é dos empresários cujas indústrias estão nos territórios das respectivas unidades federadas – a Indústria, o Agro e os Serviços, estão nos Municípios e nos Estados Federados.
Para tanto, estamos buscando contribuir, razão da nossa iniciativa em insistir na ênfase sobre algumas de nossas propostas, constantes do último PAPER, nº 175, cópia anexa, divulgado em 25/08/2025, também disponível no nosso “site” www.conselhobrasilnacao.org.”
Não há por que demonizar o endividamento público; ele é necessário. Todos os países praticam e devem muito, principalmente na atualidade. Porém, preciso é preparar o Brasil para utilizar tal modalidade de financiamento com a exclusiva finalidade do Desenvolvimento do País. É indolor? NÃO ! Mas é preferível a continuar vivendo como estamos – na insignificância, na mediocridade, vendo o patrimônio nacional em processo sólido de depreciação, de pauperização e empobrecimento material, intelectual e moral.
Item 3 – “TCU investiga compra de livros didáticos pelo MEC”.
Que planejamento estratégico é esse? Comprar por um só órgão (FNDE/MEC) 240 milhões de livros para 2026, com entrega em 2022/23/24, adiada? Entrega nas escolas de 3801 Municípios com menos de 20 mil hab., de 1107 entre 20 e 50 mil, 356 entre 50 e 100 mil, 177 entre 100 e 200 mil, 110 entre 200 e 500mil, 48 acima de 500 mil, neste país continental?
Compra adiada pela incerteza da verba total?
Cada Município pode e deve suprir Educação, Saúde, Segurança Pública, e outros, e comprar direta e legalmente sob sua responsabilidade, cronograma e preço melhor!
O acima retratado, que certamente ocorre atualmente e vale para todas as incumbências locais/municipais é mais que um convite, é determinação, a desperdício, irregularidades, prejuízo para a educação. E ainda pretendem que o aprendizado corresponda ao dos estudantes dos países da OCDE?
Qual a razão de eleger autoridades municipais como prefeitos e vereadores a serem remunerados, para procedimento, como o acima citado, seja centralizado em Brasília? O deputado Ubiratan Sanderson deveria cogitar da Reforma do Estado, proposta do Conselho Brasil-Nação, para superar a deficiência logística, considerada como sendo a causa de tal decisão, ao invés de deter-se nos efeitos para denunciar ao TCU, também órgão centralizado! Quanto custa para o País socorrer-se do TCU, um órgão imenso e poderoso, que trata de gigantescas causas institucionais e contratuais!
Cumpre frisar, não é um fato isolado, tal cenário permeia todos os procedimentos institucionais, legais e constitucionais atuais sob a vigência da Constituição de 1988. São os “ralos”! Que, no somatório, levam ao desequilíbrio orçamentário, à questão fiscal do Governo Federal, à alta taxa de juros.
A Constituição determina pelo artigo 205, garantia do direito a educação (com boa administração e ao custo que o País suporte!); art. 208, é dever do Estado o fornecimento do material didático-escolar para os alunos da educação básica; Estado não é só o governo federal (MEC), Município também integra o Estado.
Muito bom que o Estado tenha tais obrigações! Mas precisa caber no Orçamento!!! Caber no orçamento significa fazer o que se pode! Como estamos na “fita”? (ver a tabela da classificação das 25 maiores economias do mundo, referenciada pelo PIB, na CONCLUSÃO deste PAPER 176).
Item 4 – “Trump desata ‘guerra de mapas’ antes das eleições de 2026”, com subtítulo, “Presidente pressiona republicanos para redesenhar distritos e manter controle da Câmara” (ver “site” www.conselhobrasilnacao.org”
Desta matéria, que é rica como muito ilustrativa sobre o funcionamento do VOTO DISTRITAL PURO que vigora nos EUA, e é o que propomos para o Brasil – resolve estruturalmente a Representação na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores, de toda a população espalhada nos 5.570 Municípios brasileiros já detalhado no Item 1 acima.
A tentativa do redesenho é natural, dadas as mudanças demográficas e também devido a interesses a que se sujeita qualquer ser humano envolvido na Política; É preciso que haja o exercício da cidadania, também mostrada na reportagem – a participação do cidadão para inibir qualquer tentativa de desvio e/ou irregularidade, e se houver o redesenho haverá também a cumplicidade dele, o cidadão.
Item 5 – “PARE”
A Justiça Federal do DF anulou parte do novo marco regulatório do transporte interestadual de ônibus, que entrou em vigor no passado. A partir de agora, todos os 358 pedidos de licença para operação feitos à ANTT até 2024 terão de se analisados pelas regras da época.
Para comentar e tirar lições dessa matéria, a pergunta é: por que tal assunto deve ter decisões centralizadas em Brasília? É tema típico da iniciativa privada. Se algum Município estiver se sentindo prejudicado por falta de transporte, que seja da obrigação e iniciativa do prefeito com os respectivos vereadores, avaliar e propor soluções, criando oportunidades para autorização à iniciativa privada; aos empreendedores cabe responder pela viabilidade comercial. A centralização é a viabilização do “lobby”, nociva ao melhor atendimento das necessidades do cidadão e institucionalmente dos Municípios.
CONCLUSÃO
Para “cantar de galo” por SOBERANIA, que é obrigação de governantes e também de governados, do País, é preciso ter a casa em ordem, ter dinheiro antes de tudo: ser um país forte – principalmente nos dias atuais. Com o grau de dependência externa do Brasil, como cumprir essa obrigação primeira de uma Nação?
O Brasil tornou-se demasiado dependente de outros países e de capital estrangeiro, pela incapacidade de geração de riqueza própria internamente, ou seja, Desenvolvimento Econômico – ao contrário, estamos constatando a retirada de empreendedores brasileiros para países que lhes oferecem MERCADO, SEGURANÇA JURÍDICA, SEGURANÇA ECONÔMICA. Diante disso o que argumentam os governantes, e mais, a própria Elite (Estado, empreendedores e sociedade civil)?
A fotografia a seguir é ilustrativa de nossas apreensões, e também de alimento e estímulo a nossas ambições – “World’s Largest Economies” by Share of Global GDP:
| Classificação/Ano | 1995 – % | 2025 – % |
| 1º | 24,41 – EUA | 26,84 – EUA |
| 2º | 17,72 – Japão | 16,92 – China |
| 3º | 8,29 – Alemanha | 4,17 – Alemanha |
| 4° | 5,10 – França | 3,68 – Índia |
| 5º | 4,30 – Reino Unido | 3,68 – Japão |
| 6º | 3,76 – Itália | 3,38 – Reino Unido |
| 7º | 2,46 – Brasil | 2,83 – França |
| 8º | 2,36 – China | 2,13 – Itália |
| 9º | 1,96 – Espanha | 1,96 – Canadá |
| 10º | 1,94 – Canadá | 1,87 – Brasil |
| 11º | 1,87 – Coreia do Sul | 1,83 – Rússia |
| 12º | 1,45 – Holanda | 1,58 – Espanha |
| 13º | 1,21 México | 1,58 – Coréia do Sul |
| 14º | 1,21 Austrália | 1,56 – Austrália |
| 15º | 1,15 – Índia | 1,49 – México |
| 16º | 1,13 – Suíça | 1,26 – Turquia |
| 17º | 1,07 – Rússia | 1,26 – Indonésia |
| 18º | 0,92 – Argentina | 1,12 – Holanda |
| 19 | 0,92 Bélgica | 0,95 – Saudi Arábia |
| 20º | 0,89 – Taiwan | 0,86 – Polônia |
| 21º | 0,85 – Suécia | 0,83 – Suíça |
| 22º | 0,78 – Indonésia | 0,71 – Taiwan |
| 23º | 0,77 – Áustria | 0,60 – Bélgica |
| 24º | 0,75 – Turquia | 0,60 – Argentina |
| 25º | 0,59 – Dinamarca | 0,55 – Suécia |
Destaca-se, nos dados acima, o movimento praticado pela China, pela Índia e pelo Brasil.
O que está apresentado no texto argumentativo da primeira parte deste PAPER 176, que permitiu esta CONCLUSÃO, já nos encaminha para o que temos de fazer como decisão já: Reduzir o custo do Estado juntamente com a Elevação do Patamar do PIB, referenciando-nos pela orientação do Sr. Leandro Miranda (acima). Com o atual PIB o País não está conseguindo e continuará a não conseguir atender minimamente sua população, quiçá defender sua SOBERANIA, para o que só palavras são insuficientes, porém é, como está acontecendo, instrumento de campanha eleitoral! (Este fato gera vulnerabilidade para o governante por contribuir para enfraquecer a Democracia. É uma imoralidade; é apropriado relembrar que Covas, ao concorrer à reeleição em 1998, para governador de São Paulo, licenciou-se 6 meses antes da data da eleição. Gesto ético em favor de isenção, lealdade aos concorrentes e contribuiu para fortalecer a Democracia. Reforça nossa opinião o editorial do Estadão de 16/09/2025, p.A3.) Qual é o orçamento da Defesa, da Segurança Pública, do Fomento Industrial e capacidade exportadora, da construção da Infraestrutura, do sistema Educacional, da Saúde Pública, dos investimentos em Ciência e Tecnologia?
É pedir muito?
Bom, nossa geração recebeu um País, território (por sinal rico em bens naturais), uma população (que não tem crescido) ainda é grande, um sistema Institucional que não tem funcionado a contento (pela métrica, do Desenvolvimento).
Não nos é dado o direito de renúncia (ver “Europa luta por sua importância geopolítica” com subtítulo “Reunião entre Trump e Putin no Alasca ‘lembra’ europeus de que os outros estão cada vez mais fortes”, The Economist no Estadão, 30/08/2025, p.B12).
E mesmo com tal magnitude de empreendimento – Desenvolver o Brasil – nossos dirigentes demonstram não considerar prioritária a adaptação do sistema Institucional – estabelecido pela Constituição de 1988 – regente de nosso destino.
É urgente instituir o espaço deste debate nacional.
JK, em seu discurso, pleno de entusiasmo e otimismo, declarou estar inaugurando a Capital do Brasil, “onde serão tomadas as grandes decisões nacionais”.
Lamentavelmente ocorre diferente: predomina uma Elite política que continua a centralizar ainda mais todas as incumbências – as nacionais (da União), as regionais (dos Estados federados) e predominantemente as locais (dos Municípios). Pelo adágio popular “cachorro de muitos donos, morre de fome”.
É o fundamento de nossas propostas de transformação Institucional do Brasil para a adoção de um Federalismo descentralizado (que permeia toda a série de PAPERs já divulgados), capaz de acolher todo o potencial dos Entes Federativos subnacionais, e por consequência dos seus cidadãos, responsabilizando-os cada qual por sua comunidade (ver artigo “Crescimento econômico, democracia e federalismo” no “site”) ao contrário da Reforma tributária recém aprovada , que concentra todos os impostos em Brasília.
O Federalismo descentralizado poderá permitir a estruturação e um Estado eficaz e eficiente, que o Desenvolvimento requer para a concretização dos investimentos rumo à edificação de uma economia pujante, forte e competitiva nos mercados – interno e externo; A prosperidade sólida da Nação brasileira.
A democracia fundada no Estado de Direito e na cidadania não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar, visando ao desenvolvimento econômico, político, cultural e social para tornar o Brasil a melhor nação do mundo para se viver bem.
Personalidades autoras de artigos e citações neste PAPER:
.André Franco Montoro, foi advogado e político, tendo sido Governador de São Paulo, Senador , Deputado Federal, Deputado Estadual e Ministro do Trabalho e Previdência Social
.Clóvis Rossi, jornalista
.Gustavo Franco, economista e ex-Presidente do Banco Central do Brasil
.Leandro Miranda, foi membro da diretoria executiva do Bradesco, do BBI, do Credit Suisse Asset Management, do BTG Pactual e do Principal Partners Capital Group
.Mário Covas, engenheiro, ex-prefeito de São Paulo e ex-governador.
.Miguel Reale, foi jurista, filósofo, ensaísta, poeta, memorialista, integralista e professor universitário
.Osvaldo Aranha, advogado e ex-Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas
.Putin, presidente da Rússia
.Trump, presidente dos EUA
.Ubiratan Sanderson, Deputado Federal
