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PAPER 177: Projeto de País (EU SOU BRASIL!!!)

Tema: “Eleições 2026 (5): ‘Nobel de Economia e nós’!”

“São as mentes independentes que escrevem o futuro.”

(Publicidade dos Estadão pelos 150 anos)

 

Ao ambicionar a elaboração e a implementação de um Projeto de País, objetivo registrado em nossos Estatutos Sociais da constituição do Conselho Brasil-Nação em 06/12/1990, foi definido que tal Projeto Nacional de Desenvolvimento deveria ser representativo da opinião pública nacional, a ser submetido à aprovação dos poderes constituídos.

Assim nossas formulações não podem se afastar do bem comum da população e do interesse nacional – interesse da Nação. O que nos impõe conhecer a nossa população na sua mais íntima aspiração, seja na reposta à mais profunda angústia, seja na criação de perspectiva de prosperidade para todos – esse é o Desenvolvimento. A “matéria prima”, os ingredientes para a formulação do Projeto Brasil-Nação para o Desenvolvimento, realista, exequível, realizável, responsável e otimista, expressão da índole e da ambição do povo.

Os formuladores e responsáveis pelo Projeto são: a própria população, e os letrados que constituem a Elite nacional – cada qual no seu papel. Os omissos são também responsáveis – a omissão é uma maneira de participar e responsabilizar-se. O regime: Estado Federal, com Federalismo descentralizado, Democracia Representativa, economia de livre mercado, Estado Democrático de Direito. “A democracia fundada no Estado de Direito e na cidadania não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar, visando ao desenvolvimento econômico, político, cultural e social para tornar o Brasil a melhor nação do mundo para se viver bem.”

A proposição, um Projeto de País, é nova, razão de as transformações terem de significar um Experimento com base em resultados históricos de outros países, mas o decisivo são os conhecimentos dos cidadãos brasileiros atuantes e compromissados, em todas as áreas, com o objetivo do Desenvolvimento do Brasil.

Esse Experimento, do conhecimento da população, prosseguirá para o futuro, por gerações, como é o processo histórico de todos os países conscientes disso, ou não – com grau civilizacional determinado pela cultura de cada um. E aqui, frise-se, cultura significa pessoas – não máquinas, não cibernética (que inclui IA) e outros que tais. Tal Experimento, no Estado Democrático de Direito, para ser bem-sucedido, requer estruturas adequadas, muitas das quais, embora essenciais ao sucesso de tão portentoso empreendimento, ainda não as temos em nosso sistema institucional: estratégia e planejamento estratégico.

O PAPER, nosso órgão de divulgação, se propõe a registrar experiências de personalidades e/ou instituições com participação no Projeto, citando autores de livros, artigos e outras manifestações culturais políticas. Este registro  de debate público deve ser pela escrita, mas também, sempre que possível, debate público presencial, podendo ainda ser televisivo. De todas as manifestações por escrito registradas são indicados os títulos, autores, órgão de publicação, página, data, pois é uma maneira de colher conhecimento  e participação dos autores através de documento de domínio público que se deve integrar e incorporar ao acervo do Projeto, que necessariamente seja representativo da opinião pública nacional, conforme os Estatutos Sociais do Conselho Brasil-Nação.

Assim seguem-se manifestações:

“Nobel de Economia e nós”, com subtítulo “Trio ganha Nobel ao ligar economia forte à inovação” texto divulgado pelo Estadão em Notas e Informações, de 14/10/2025 p.C7, do qual citamos trechos relativos ao pensamento dos premiados:

“Academia Sueca reconhece papel da inovação como indutor do crescimento, algo que deveria inspirar o Brasil”

(…) “Hoje, a chamada inteligência artificial (IA) é o exemplo mais fascinante – e também assustador – de destruição criativa.” (…)

(…) “…a IA tem o potencial de extinguir milhões de postos de trabalho mundo afora, mesmo os de profissionais altamente especializados.” (…)

(…) “Ao mesmo tempo em que é necessário promover constantemente a inovação, é preciso estar preparado para lidar com os efeitos colaterais do processo, entre os quais o desemprego.” (…)

(…) “…o francês Philippe Aghion, está preocupado com o fato de que a Europa está perdendo a corrida da inovação tecnológica para os EUA e a China.” (…)

(…) “…sem política de inovação e sem projeto de futuro, o País se vê preso em um ciclo interminável de fomento a setores ineficientes e ultrapassados. Um verdadeiro descalabro, ainda mais porque, por mais atrasada que esteja a Europa em relação à China e aos EUA, o padrão de vida de boa parte dos europeus é significativamente melhor do que o dos brasileiros. Sem política efetiva de inovação, o Brasil corre o risco de rebaixar o padrão de vida de sua população como um todo.” (…)

(…) “Ainda mais porque, sem ela, não há crescimento nem o que repartir.”

 

Nossos comentários relativos ao pensamento dos premiados:

1) São professores de universidades de países desenvolvidos. As teses têm caráter genérico, independente de quais são as inovações nem sobre que economia se aplicarão. A palavra “cibernética” foi cunhada em 1948, cujo autor declara “Derivei-a do grego ‘Kybernetes’ ou ‘timoneiro’. É a mesma palavra grega de onde provém ‘governante’”. Assim “ciber” se associa a controle e governo. “Cibernética” fica próximo de “governança”. As mais recentes inovações são cibernéticas, que se aplicam à Economia, também à Cultura e Educação, Saúde, e outros campos genericamente. Dois artigos disponíveis no “site” www.conselhobrasilnacao.org tratam de IA: “Humanidades” (Estadão 21/10/2025 p.B12) e “Brilho eterno de uma mente que dispensa inteligência artificial” (Estadão, 22/10/2025 p.C1).

Cabe-nos concordar com as teses, porém situar o interesse nacional nesse episódio do “Nobel” e da economia brasileira: não é o caso de figurarmo-nos de imediato como compradores de tecnologias inovadoras  para produção destinada ao mercado nosso interno (onde nossos produtos concorrerão com importação) e externo (exportação onde concorrem com fabricantes locais, muitos deles originários da invenção). A inovação de interesse nosso deverá resultar de ser aplicada pelo nosso sistema produtivo (nossos empreendedores e nossos recursos humanos)? Portanto não deve ser o caso de assimilar impensadamente inovações criadas por  economias estrangeiras.

2) No Brasil atual a prioridade é gestão, governança e qualidade política para conseguir equilíbrio fiscal governamental, arcabouço que contém e condiciona a microeconomia, onde dificilmente se aplicam, com eficácia e eficiência, inovações alienígenas. Faz-se necessário que sejam inovações aplicáveis aos nossos status e conceitos operacionais industriais (nossos empreendedores e nossos recursos humanos) e nossos consumidores (poder aquisitivo) internos e externos.

3) Nossa economia deve fazer seus investimentos próprios em inovação objetivando que, aplicada, resulte em crescente produtividade para competir com produtos importados e na exportação para outros mercados. Ou seja, nossa Economia competir com outras Economias.

4) Nesse conceito perde sentido a preocupação do francês professor Philippe Aghion  (acima) ao menos que sua concepção seja de competir com EUA e China, no papel de fabricantes de inovações e/ou produtos destinados a dominar mercados de economias menos desenvolvidas. Aqui reside importante conceito do que seja Desenvolvimento. Em nossas concepções, para o Brasil, perde sentido a importação de máquinas e equipamentos, as quais trazem embutidas tecnologias de outros países, além de estar contribuindo para o PIB de país competidor e inventor, e, fundamental, inibe nossos cientistas pesquisadores.

5) Faz sentido, no interesse nacional, o parágrafo final de “Notas e Informações” ao aventar a possibilidade de reorientação das inversões governamentais (incluída participação do setor privado) de recursos para políticas intensivas em centros de pesquisas que possam produzir inovações  brasileiras, aplicáveis, portanto, ao status do sistema produtivo nacional. Essa diretriz tem o potencial de dar competitividade aos produtos brasileiros nos mercados interno (competindo com importação) e externo (em exportação  competindo com fabricantes de outros mercados), e contribui para o fortalecimento da nossa Indústria, gerando emprego (uma das condicionantes em inovação é não eliminar emprego, que também é mercado), e aumentando o PIB (com possibilidade futura de consequente redução de impostos no Brasil, se mantido ou reduzido o custo do Estado).

Assim, com inovação própria nossa economia tornar-se-á menos dependente, com mercado interno (poder aquisitivo) crescente, abrindo perspectiva para a Indústria brasileira, o que requer imperiosidade de fomento industrial com mesmo propósito que o fomento do Agronegócio, são inovações, com o objetivo de elevar o patamar do PIB. Isto evidencia a necessidade estratégica da alocação e nossos parcos recursos em investimentos (inovações) capazes de alavancar nosso PIB.

Trazemos para nossa argumentação, abarcando âmbito mais abrangente, importantes conceitos expressos pelo engenheiro Demi Getschko, de seu artigo sob o título “Humanidades” publicado pelo Estadão de 21/10/2025 p.B12, já citado acima, cuja íntegra pode ser acessada no “site” www.conselhobrasilnacao.org. Não se trata de proteger nocivamente a Indústria brasileira, mas de habilitá-la para a competição com base em produtividade e competitividade. É oportuno que se lembre que na pandemia o mercado mundial comprador se deu conta de que todos os países estavam dependentes da “fábrica chinesa”. O que gerou posteriormente o movimento empresarial denominado “nearshoring”. São lição e experiência, que não pode ser esquecidas.

Ainda a propósito do Nobel de Economia de 2025, o economista Roberto Luis Troster divulgou, pelo Estadão de 15/10/2025 p.B2, o artigo sob o título “Nobel 2025: é preciso política inteligente para crescer”, disponível no “site” www.conselhobrasilnacao.org, pelo qual conclui que (…) “As inovações tecnológicas são uma commodity atualmente. A questão é como se apropriar delas para nosso progresso.” (…) como (…) “…usar essas transformações em inovações e as inovações no desenvolvimento do Brasil – leia-se investir em educação e pesquisa, desburocratizar e reformar. Crescer mais não é sorte, é uma opção. O Brasil pode mais.”

Adicionamos ao pensamento do economista Troster, o fato de que a proposta do Conselho Brasil-Nação não é “crescer mais”, ou seja, crescer 2% do PIB ou 7% do PIB (atual), que é um PIB cuja receita tributária (R$ 2,4 trilhões em 2024) beira 1/3 das necessidades financeiras do Governo Federal, quem responde pelo endividamento público atual de R$ 9,4 trilhões, o qual gera despesa financeira anual de R$ 1,41 trilhões, que corresponde à despesa financeira diária de R$ 3,68 bilhões.

A opção de assimilar as inovações provenientes do exterior manterá a situação do Brasil ainda medíocre, afogada nesse caos, atada por esse NÓ, com uma economia de produção insuficiente que, contabilmente, jamais possibilitará ao país atingir o equilíbrio fiscal, desejado, que possa ser “sonhado”.

A Economia do Brasil não melhorará da 10ª colocação atual, com forte tendência a decrescer.

A seguir acrescentamos às considerações já expostas, o pensamento do professor de Finanças do FGV-SP Sr. Fábio Gallo divulgado pelo Estadão de 18/10/2025 p.B12, sob o título “Bolha dourada?”. São considerações que elucidam comodismo fundado em carência estratégica, ou equívoco estratégico.

“Uma das coisas que aterrorizam o mundo econômico é a possibilidade de uma bolha de preços. Desde a bolha das Tulipas em 1636, passando pela “com” no final dos anos 90 e do subprime em 2007, para citar algumas impactantes, o mundo sempre está atento à possibilidade de uma crise de grandes proporções.

As bolhas econômicas são fenômenos multifatoriais, dentro de um sistema que envolve variáveis macroeconômicas, financeiras, psicológicas e institucionais. Uma das principais causas é o medo de perda da oportunidade, comportamento conhecido como Fomo: fear of missing out (literalmente, medo de ficar de fora). Isso está ocorrendo atualmente em relação ao preço do ouro. Há cinco anos, uma onçatroy (31,1034768 gramas) de ouro valia US$ 1.900; um ano atrás, em torno de US$ 2.700; e neste mês bateu a barreira dos US$ 4.300, alta de quase 60%.

A maior alta do ouro desde a década de 1970 está sendo alimentada pelo “Fomo dourado”, como diz o Financial Times. Desde 2022, os bancos centrais, principalmente dos países em desenvolvimento, têm comprado o metal para diversificação de suas reservas além do dólar. Recentemente, as compras institucionais e do varejo tiveram novo recorde com US$ 26 bilhões investidos em fundos lastreados em Bolsa.

Admite-se que o tarifaço de Trump, o crescimento menor da China, corte de juros por parte do Fed, com a elevação de juros no longo prazo, são causas que tenham trazido um medo geral que levou a muitos buscarem o porto seguro do ouro.

Essa instabilidade econômica e política traz muitas manchetes que, associadas à voz dos influencers, amplificam a aceleração dos preços, trazendo um efeito manada. O ouro é um terreno fértil para essa situação porque a narrativa de porto seguro, como um “ativo que não falha”, faz com que o preço dispare e traga o medo de ficar de fora e isso acelera as entradas tardias.

Há um fator técnico que amplifica boatos: o relatório COT (Commitments of Traders) da CFTC (o regulador de derivativos dos EUA) está suspenso durante o shutdown. Sem a fotografia semanal das posições de fundos, o mercado voa às cegas, e a imaginação – portanto, o Fomo – preenche os espaços. Há sinais robustos de Fomo e risco de bolha. Aliviam essa tensão as compras de bancos centrais, que seguem altas e ajudam a explicar o patamar. A queda esperada de juros reais também reduz o “custo de carregar” ouro. Isso não anula a hipótese de bolha, mas impede a sentença incontestável. O Fomo é o combustível emocional das bolhas, mas não o fósforo nem o oxigênio. Ele traz a exuberância irracional dos preços. Mas, sem liquidez, o Fomo é barulho; sem narrativa, é ruído; mas com ambos, vira fogo.”

Inovações desejáveis são as que possam promover outro “status” econômico, induzindo que sua aplicabilidade na Economia, traga reflexo para elevar o patamar do PIB.

Investimento em inovação, em programas industriais pertinentes ao planejamento estratégico de Desenvolvimento do País ao longo de diversos sequentes períodos governamentais, é essência para outro patamar das  receitas tributárias, e para dinamização e maturidade do mercado interno consumidor.

Para Redução do custo do Estado, mudanças marcadamente institucionais, como as contribuições dos pensamentos de três (3) juristas de destaque no País, mediante os artigos disponíveis no “site” www.conselhobrasilnacao.org:

a) “Revisão constitucional”, advogado professor da USP Miguel Reale, já falecido, Estadão 08/05/1993: O mencionado artigo cuja íntegra está disponível no “site” www.conselhobrasilnacao.org, é recomendação de leitura para melhor constatar sua pertinência com o Tema deste PAPER 177. O autor ambiciona (6) seis Reformas básicas, sendo (1) Reforma do Sistema Partidário e Eleitoral; (2) Reforma para a prática da melhor Representação na Câmara dos Deputados, mediante sistema distrital; (3) garantia da sobrevivência do Sistema Federativo e do Estado Democrático de Direito, o que exige ajustes no plano administrativo e tributário; (4) estabelecimento das competências constitucionais da União dos Estados e dos Municípios, com a respectiva capacidade econômico-financeiro; (5) Reformas na ordem econômica; (6) Desestatização de vários serviços públicos.

Este conjunto de Reformas estruturais são razões de sobra para reconhecer que a Revisão Constitucional prevista para outubro de 1993 assinalava um momento decisivo na História nacional, ao escrever:

(…) “Se não o aproveitarmos com discernimento e coragem, será irremediável o declínio de nosso processo cultural, desde os valores materiais aos democráticos.” (…)

(…) “Para alcançarmos, porém, tão altos objetivos é necessário que os homens responsáveis pelo destino da sociedade civil, desde as empresas e os sindicatos até as escolas e as universidades, desde os que militam no mundo das letras e das ciências aos que se empenham em missões religiosas, formem uma irresistível corrente de opinião capaz de levar de roldão as barreiras do oportunismo e do fisiologismo político que tem maculado nossa triste História republicana.”

b) “Sistema disfuncional”, professor Miguel Reale Junior, também professor de direito da USP, Estadão 04/10/2025 p.6, portanto 32 anos após a determinação dos Constituintes para a Revisão Constitucional, cuja integra está disponível no “site” www.conselhobrasilnacao.org, leitura que possibilita, aquilatar sua pertinência ao Tema, cujos trechos do mencionado artigo transcrevemos:

(…) “Já disse Rui Barbosa, em discurso no Instituto dos Advogados Brasileiros, que é a mais grave das afrontas à Constituição o presidente ou o Congresso Nacional se converterem em instância julgadora da mais alta Corte, por discordar de suas decisões.

Em suma, o presidencialismo sem freios e contrapesos redundou num sistema de irresponsabilidade, gerador de conflitos entre Poderes, no qual o Legislativo se transforma em órgão extorsionário em busca de vantagens.

O sistema político é disfuncional, levando também a excessos da parte do STF. Só uma revisão geral permitirá a superação do mal crônico.”

c) “Honesta e leal aplicação da lei”, advogado Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr., Estação 18/10/2025 p.A4, disponível no “site” www.conselhobrasilnacao.org, do qual são transcritos os trechos a seguir:

(…) “No vácuo da política, a bússola democrática gira sem norte definido. Aqui, o atalho não faz caminho. Entre os muitos poderes da colenda Suprema Corte não está o de indicar pontos cardeais da democracia. Até mesmo porque dirigismo político – seja qual for – pode ser tudo, menos liberdade constitucional. Em homenagem ao livre pensar sobre o futuro, a memória fez lembrar a autoridade de Paulo Brossard em página alta do STF: “Se eu fosse legislador, é possível que não incluísse o preceito em tela na Constituição; mas eu, que já fui, deixei de sê-lo. Agora, como juiz, não faço leis, antes lhes devo obediência e precipuamente à Lei Maior, goste ou não goste de suas regras, devendo dar-lhes honesta e leal aplicação”.

A honesta e leal aplicação da lei. Jamais o Brasil dependeu tanto de tão elementar premissa civilizatória. Pois, sem lei, restam apenas o desgoverno caótico e as injustiças irrefreáveis.”

Para completar esta argumentação, tomamos o artigo “Democracia é estilo de vida”, da autoria de Roberto DaMata divulgado pelo Estadão de 22/10/2025 p.C5, transcrevendo os trechos da seguir:

(…) “Tocqueville não viu o experimento da democracia americana como um sistema acabado, mas como um modo de vida que havia razoavelmente solucionado questões milenares de extremada desigualdade social pelo igualitarismo como um ideal e pelo trabalho como vocação não como punição.

O mundo dá voltas, mas o ponto aqui é, mais uma vez, reiterar que a democracia se faz numa dialética de educação, paciência, fé e devoção à igualdade perante a lei que ainda é nosso maior problema.” (…)

 

CONCLUSÃO

 

A dicotomia Direita versus Esquerda, ou polarização, ambas em voga, são, na verdade, no Brasil, precária Democracia e inexistência de propósito objetivo de opção pelo Desenvolvimento do País.

As conceituações, opção nossa, do papel das manifestações voluntárias oferecidas por cidadãos (parte argumentativa desse PAPER 177) evidenciam a fragilidade e vulnerabilidade do sistema político e econômico brasileiros – sistema de governança do País – que precisa se capacitar com estratégia para superar as dificuldades internas atuais e se preparar para a competição na geopolítica.

É surpreendente a facilidade com que são “compradas” ideias e inovações geradas no exterior que, cada vez mais, afastam o cidadão do seu interesse que, em última instância, deve ser o interesse nacional e o bem comum. Procedimentos burocráticos são adotados pelas estruturas do Estado, e assim subjugando costumes, hábitos e interesses com potencial de transformação cultural, sob o fascínio de pretensa modernização: atinge a Educação, a Saúde, a Segurança Pública, o próprio sistema produtivo, enfim a tudo, sob a influência e o controle das inovações tecnológicas, marcadamente as cibernéticas.

O Desenvolvimento do Brasil é proposição de uma operação que precisa ter o “status” de mobilizar a totalidade, ou grande maioria da população num só sentido, o que requer lideranças adequadas para a magnitude da realização de tão portentoso empreendimento.

A História registra talentos individuais brasileiros de destaque mundial nas letras, nos esportes, na música, nas ciências, na intelectualidade, na política, na economia e empreendedorismo, porém no coletivo, na cidadania, no voluntariado, nas habilidades e na disciplina organizativas, na confiança e coesão social, no bem comum e no interesse nacional, o País tem deixado a desejar, exceção a poucas personalidades e curtos períodos da História. O que tem de ser considerado no planejamento estratégico de Desenvolvimento.

A contribuição do Conselho Brasil-Nação, que busca oferecer seus estudos e propostas para a superação das dificuldades presentes do Brasil e perspectiva de prosperidade como país, é de que primordialmente duas frentes fundamentais devem ser atacadas no curto prazo, pela realização de Reformas estruturais: Elevar o patamar do PIB, com volume de produção que possibilite crescentes receitas tributárias até, no mínimo, serem suficientes para suportar o custo do Estado e realizar os investimentos públicos necessários ao Desenvolvimento Econômico (dentre eles inovação), e, concomitantemente, Reduzir o custo do Estado, com objetivo de estabelecer no País condições de governabilidade fundada em preceitos constitucionais de democracia e Estado de Direito, na prática de equilíbrio fiscal. A base do Desenvolvimento é o Desenvolvimento Econômico.

O Brasil é um país rico, porém nele vive um povo pobre desprovido da formação técnica e profissional em todos os níveis e áreas, quando se propõe à ação para superar as carências elementares de nível de vida coletiva da população – trunfo potencial que é o mercado interno a ser construído. É o poder aquisitivo capaz de suportar com sustentabilidade uma Economia industrial forte – produção em qualidade e quantidade – leia-se PIB.

Nada de novo: em setembro/1993 o texto de Apresentação do Anteprojeto de Constituição Brasil-Nação, para a Revisão Constitucional foi enfático: (…) “… estruturar o Estado para dispor de agilidade, flexibilidade, ser forte e enxuto, fortalecer a livre iniciativa sem protecionismos, para a competição, e investir decididamente em conhecimento instituindo um sistema educacional eficaz e eficiente que instrua para a competição, não para acomodação.” Acrescentaríamos agora, que desenvolva o potencial de curiosidade inventiva e o talento de ouvir sua população ante as oportunidades, com suporte de estrategistas habilitados. Pois “continuamente nos defrontamos com uma série de grandes oportunidades brilhantemente disfarçadas sob a forma de problemas insolúveis.” (John W. Gardner).

Em se tratando de ouvir, ouçamos o que nos pode ajudar o articulista prof. Ricardo Vélez Rodrigues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da UFJF, professor Emérito da ECEME, docente da Universidade Positivo, Londrina/PR, nos oferece uma sugestão que já constava de nossas cogitações e formulações, através de seu artigo sob o título “Horizonte político e carências estratégicas”, Estadão 20/06/2018 p.A2, disponível no “site”, do qual transcrevemos os trechos a seguir:

“O Brasil enfrenta tempos de mudança. Não de um regime autoritário para um democrático.

Mas de aperfeiçoamento da nossa democracia representativa. A sociedade brasileira anda insatisfeita com as instituições. A representação não funciona.

O Executivo perdeu-se no terreno do compadrio e das soluções “meia-sola”, embora, com Temer, tivesse sido iniciada uma boa tarefa reformista para reabilitar a economia, seriamente abalada com as pedaladas de Dilma e o descalabro moral do PT. O Legislativo funciona, mas mergulha no ensimesmamento da “política alimentar” (segundo dizia Oliveira Vianna). E o Judiciário não está imune às práticas não republicanas e à tentação do purismo que, pelas mãos de alguns jovens afoitos do Ministério Público, enxota a política como algo “sujo” que deve ser substituído por conselhos técnicos (a velha tentação positivista, que, pretendendo regenerar a democracia, acaba com ela, pelo caminho da “ditadura científica”).

Sejamos, contudo, otimistas. Não com aquele otimismo irritante dos que vêm flores em tudo. Os tempos são de aridez e de busca de saídas. Mas, contempladas as coisas do ângulo aristotélico da “política possível”, não pelo viés platônico da “política ideal”, as coisas não são tão ruins.” (…)

(…) “Carece o Brasil de uma organização técnica que auxilie os Poderes constituídos com análises estratégicas de longa duração. Ficamos presos ao imediatismo. Não contamos com centros de estudos estratégicos, diferentemente do que acontece em países que saíram do ensimesmamento para atingir posições de destaque na política mundial. Estados Unidos, China, Canadá, Rússia, França, Inglaterra, Alemanha, etc., tem esse tipo de centros. Só na China se contam hoje aproximadamente 1.400.

Não que o Brasil careça de intelectuais e técnicos capazes de prestar serviços em centros desses. Mas com a volta da democracia foram fechadas as instituições de análise estratégica que havia, como parte do “entulho autoritário”.

Faz falta, no Brasil, a presença de centros de pesquisa estratégica que estudem as prioridades do País….” (…)

(…) “… os organismos encarregados de desenvolver os trabalhos de inteligência, ou foram fechados ou apenas organizados de maneira precária.” (…)

 

A democracia fundada no Estado de Direito e na cidadania não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar, visando ao desenvolvimento econômico, político, cultural e social para tornar o Brasil a melhor nação do mundo para se viver bem.

 

Personalidades de artigos e citações neste PAPER :

Alexis de Tocqueville, pensador político, historiador e escritor francês

Demi Getschko, engenheiro de eletrônica (USP), pioneiro da Internet no Brasil

. Dilma Roussef, economista e ex-Presidente do Brasil

. Fábio Gallo, engenheiro, professor de Finanças, FGV e PUC-SP

John W. Gardner, ex-secretário de Saúde, Educação e Bem-Estar dos Estados Unidos

Michel Temer, advogado e ex-Presidente do Brasil

. Miguel Reale, advogado, jurista e filósofo , professor da USP

. Miguel Reale Jr, advogado, jurista , ex-ministro da Justiça, professor da USP                                                         

. Oliveira Viana ( Francisco José de ), sociólogo, jurista e historiador

. Philippe Aghion, economista francês

. Paulo Brossard, jurista e ex-ministro da Justiça

. Ricardo Vélez Rodriguez, filósofo, ex-ministro da Educação, Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas

. Roberto DaMata, antropólogo

. Roberto Luis Troster, economista

. Rui Barbosa, político, jurista, diplomata e escritor

. Sebastião  Ventura Pereira da Paixão Jr, advogado, especialista em Direito do Estado

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