PAPER 180: Projeto de País (EU SOU BRASIL!!!)
Tema: “Eleições 2026 (7)”
“Deve-se ter sempre em mente que é loucura uma nação esperar favores desinteressados de outra; e que tudo quanto uma nação recebe como favor terá de pagar mais tarde como uma parte da sua independência.”
George Washington
1º presidente dos EUA
O mundo está de “ponta-cabeça”. Muita mudança, porém as necessidades básicas para a pessoa humana são as mesmas.
Alguma luz nos trás o economista italiano Michael Spence, vencedor do Prêmio Nobel em 2001, Estadão 08/02/2026 p.C10 e C11, ao argumentar que a causa do que acontece no mundo não se limita a Trump; causas diversas e muitas veem ocorrendo – já há tempos – “Todo mundo está lidando – sejam empresas, cidadãos ou governos – em como navegar por essas mudanças. E parece instável porque nos acostumamos com o modelo antigo. Houve, por um tempo, uma espécie de nostalgia de que seria um choque e seria possível voltar. Mas não podemos. Vamos ter de criar uma nova versão disso que funcione” (…) (…) “… mesmo que as regras sejam menos claras, grande parte do mundo está aproveitando enormes oportunidades e simplesmente seguindo em frente como se tudo fosse o mesmo.” (…) (…) “Os principais atores nisso são a China e os Estados Unidos, porque é muito caro e é preciso uma escala enorme para fazer isso.” (…)
Mas também “As pessoas perceberam que você não precisa ser grande e rico para empregar essas coisas, para resolver problemas específicos nos negócios, na economia, na educação e na saúde.” (…) (…) “Eu costumava achar que muitas dessas coisas eram apenas questões econômicas, mas a parte realmente difícil é a parte criativa, que os melhores políticos e formuladores de políticas fazem, porque eles precisam sequenciar as coisas de forma politicamente aceitável. É mais arte do que ciência. E certamente não é só economia. Isso é liderança real.” (…)
Limitando-nos ao nosso universo Brasil, permanecem ainda os mesmos problemas e são elementares, embora complexos: povo pobre que vive, ou luta pela sobrevivência, num país rico de riquezas naturais. Populoso, que precisa converter a desvantagem do custo da pobreza de grande parte de seus habitantes, dependentes do Estado, em vantagem de ter população grande com poder aquisitivo que signifique mercado forte, capaz de viabilizar um sistema produtivo potente e competitivo no comércio interno e no exterior.
Elevar o nível de instrução da população consumidora, seria a solução?
Não só; o instruído sem ocupação laboral não gera renda. É a situação atual na maioria dos profissionais no Brasil. Mais vale é ter ocupação laboral, capaz de despertar ambição para buscar cada vez mais a instrução e a crescente produtividade, fundamento da competitividade que promova a potência industrial manufatureira, que os países ricos querem que outros é que a façam. Então vamos fazer! Não é hora para “Global Invest Day” no Brasil, 17/03/2026 às 8:30hs – Shopping JK Iguatemi-SP.
A elevação do patamar do PIB, pode possibilitar a redução da carga tributária, com efeito decisivo no consumo interno e na exportação; é menos difícil reduzir proporcionalmente o custo do Estado através do crescimento do PIB do que a luta por redução do custeio fixo estatal já estabelecido, legal e constitucionalmente – os fatos comprovam a dificuldade de reduzir ou eliminar privilégios.
Não se trata de “reinventar a roda”, mas apenas alterar a direção dela; com programas econômicos governamentais que conduzam o labor do Sistema Produtivo para aumentar o PIB.
Conforme Leandro Karnal (Estadão 11/01/2026 p. C12), (…) “Deus explicou a Jó. Agostinho desenvolveu na Cidade de Deus: o processo não é linear ou visível. O Todo-Poderoso não pode ser reduzido ao interesse geopolítico de um governante. A divisa beneditina sempre foi parcialmente entendida: há muita gente que “ora” e menor empenho no “labora”. Sem trabalho duro, nem Deus resolve. Esperança sim, porém muito suor. Labora, labora, labora et… ora, que um dia a hora chega. O ano está só começando. Que Deus ampare sua vitória.”
Os governantes brasileiros não têm tido sucesso, embora possam ter tentado na administração do Estado, para prover a população de ocupação laboral (não estatal), principalmente nas últimas 4 décadas. Dessa carência de estadistas empreendedores tem resultado o custo do Estado ser superior à arrecadação tributária, gerando desequilíbrio orçamentário.
Em face da pobreza de vastos contingentes populacionais com crianças sem instrução, foi instituído o programa governamental “Bolsa-Escola”, posteriormente “Bolsa-Família”, bem como outras iniciativas, em regime não provisório ou emergencial, mas permanente e institucional, sob o risco de, em se mantendo tal padrão de governantes, tornar-se constitucional. Esse custo na atualidade já se tornou insuportável para nosso Estado e nossa Economia.
Urge, pois, o rompimento desse procedimento, buscando objetivos virtuosos em favor do equilíbrio das contas públicas da União, como aprender a reduzir o custo do Estado, pelo labor. Segundo Camões, em “Os Lusíadas”, canto X, estrofe 153, “Não se aprende/Senhor/na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando/Senão, vendo, tratando, pelejando”. São necessários governantes que aprenderam o que sabem com trabalho, não como tem sido.
Onde encontrar trabalho, na escala necessária desse país populoso? Não será na prateleira de supermercado, senão pela utilização de tecnologias: planejamento estratégico. Mas esta ferramenta perguntará, qual é o objetivo? A resposta: encontra-se no Projeto Nacional de Desenvolvimento, que deve vir desde as urnas. A hipocrisia é que não só os eleitores, mas também potenciais candidatos, não sabem ainda que eleições são exatamente para tal finalidade.
Enquanto estivermos na situação em que o governante não sabe por que está no cargo, afora sua remuneração mensal e outras vantagens correlatas, o País continuará seguindo a esmo, sem objetivo, com déficit público e endividamento crescente. “Cabeça vazia, usina do diabo”. Não só os governantes, os empreendedores privados e os governados, todos desnorteados, não conseguem enxergar, sem segurança mínima econômica e jurídica, como empreender negócios, geradores de trabalho, emprego e renda, com fomento empresarial, integrante de um Projeto Nacional de Desenvolvimento.
Sêneca, século I d.C.: “Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável.” Esse Projeto conterá o “porto” com todas as decisões gerenciadas pelo Planejamento Estratégico para viabilizar o Equilíbrio Orçamentário público, e a prosperidade geral do povo.
Nas eleições, caso não for submetido aos eleitores projeto algum, os três poderes ignorarão a que “porto” devem se dirigir juntos, harmônicos e independentes.
Isto é provável que venha a ocorrer nas próximas eleições de 2026 pois , a 8 meses do pleito, os eleitores ignoram, exceto parte da elite, candidatos e Projetos: um processo político-eleitoral escondido, sob silêncio e atores ocultos.
É do processo político-eleitoral, promovido e conduzido pelos Partidos Políticos, que tem de advir quais são as decisões esperadas dos recém-eleitos – o Congresso Nacional e o Executivo – bem como as restritas e discretas , embora firmes e concisas, respostas a provocações ao Judiciário.
Não acontecendo nesse sentido, continuarão os brasileiros não só envergonhados e desalentados , mas também os estrangeiros, assustados com a inurbanidade, a precariedade cívica e, ultimamente, com a desordem institucional que macula a Nação brasileira – é ex-presidente que já esteve preso e elegeu-se novamente presidente, bem como ex-presidente que se encontra preso.
É fato; independe de mérito. O círculo vicioso se perpetua de medíocres governantes reproduzindo medíocres homens de Estado. Outro horizonte é imperioso: um olhar simples, o exemplo do primeiro-ministro do Canadá, em Davos em janeiro/2026, diante da turbulência da geopolítica atual, deu o alerta, que muitos já sentiam a necessidade daquela atitude. O texto completo do pronunciamento encontra-se no “site” www.conselhobrasilnacao.org, do qual transcrevemos:
(…) “A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso. O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.” (…)
Não menos importantes foram os dois discursos proferidos na Cerimõnia de Abertura da Olimpíada de Inverno em 06/02 corrente em divulgação televisiva de alcance mundial instantânea, pela senhora Kirsty Coventry, presidente do Comitê Olímpico Internacional e pelo senhor Giovanni Malagò, do comitê organizador da competição. Os discursos fizeram um chamamento a todo o mundo para o papel dos esportes pela paz mundial, e sua influência para a harmonia entre as pessoas e os povos, expresso em um dos discursos a primazia da competição é “excelência, amizade e respeito”.
Nosso país não pode desconhecer ou ignorar em suas decisões o compartilhamento do espírito e propósito expressos naqueles discursos, inclusive pelo fato de o Brasil ser partícipe do evento.
CONCLUSÃO
Falar menos, fazer mais, e com acerto. Vangloriar-se de regime democrático representativo; mas sem Partidos Políticos? Inviável tal pretenso regime político e jurídico!!! Teimar é assumir e consolidar o risco perpétuo de instabilidades rumo ao autoritarismo, em prazo incerto, independente da ideologia. “… 20 partidos ou nenhum é mais ou menos a mesma coisa.” …. (Bolívar Lamounier, Estadão de 31/01/2026 p.A4 artigo sob o título “Como seria o Brasil sem os otimistas”).
Sem Partidos Políticos, como instituições respeitáveis e que se respeitem, doutrinariamente estruturadas, para exercer a Representação da sociedade (ver PAPER 178 de 24/11/2025), jamais se conseguirá “por a casa em ordem”. Sem ela em ordem, que futuro esperar sem Projeto Nacional de Desenvolvimento, Planejamento Estratégico, País respeitado, “condições mínimas e básicas de sobrevivência civilizada como país livre, independente, soberano, democrático e desenvolvido”. (PAPER 35, 15/01/2019).
Simples assim: O Desenvolvimento é imperativo – com “arco e flexa” ante concorrentes com canhões e demais equipamentos bélicos tecnologicamente sofisticados, precisos e poderosos – resta como essencial lutar com inteligência e habilidades para a economia brasileira situar-se, no mínimo, entre as potências médias, dada a distância para as grandes.
Ao Brasil tem faltado tratamento estratégico que identifique nossas forças e nossas fraquezas para traçar nossas políticas; nosso Agro, nossa Indústria, etc, em grandes diretrizes que orientem as empresas, os cidadãos e os governos.
A democracia fundada no Estado de Direito e na cidadania não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar, visando ao desenvolvimento econômico, político, cultural e social para tornar o Brasil a melhor nação do mundo para se viver bem.
Personalidades de artigos e citações neste PAPER :
. Bolivar Lamounier , Cientista político
. Luis de Camões, Poeta português
. George Washington, 1º Presidente dos Estado Unidos
.Michael Spence, economista italiano, Premio Nobel de economia de 2001.
. Leandro Karnal, Historiador e Professor
. Sêneca, Filósofo grego
