União Europeia veta a compra de carnes do Brasil a partir de setembro
Bloco diz que País não cumpriu exigência em relação ao uso de antimicrobianos nos rebanhos; governo se disse ‘surpreso’ com anúncio e prometeu agir para reverter medida
Por Isadora Duarte, O Estado de S. Paulo, 13/05/2026
A União Europeia (UE) publicou ontem uma lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária, com uma ausência notável: o Brasil.
A lista, validada pelos Estados membros do bloco, estabelece quais países poderão continuar exportando carne para a Europa a partir de setembro, por cumprirem as normas sanitárias europeias, entre os quais Argentina, Colômbia e México. Por ora, no entanto, o Brasil não está incluído, pois não forneceu à UE garantias quanto à não utilização de produtos antimicrobianos em seus rebanhos.
Em reação ao anúncio, o governo brasileiro divulgou comunicado afirmando que buscará reverter a decisão da UE de excluir o País da lista de exportadores de proteínas animais e derivados por uso de antimicrobianos – como antibióticos. “O governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”, disse o governo em nota conjunta assinada pelos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic).
As exportações brasileiras de carnes (bovina, suína e de aves) e animais vivos para a UE são crescentes tanto em volume quanto em receita desde 2021, conforme dados obtidos no Agrostat – sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro. No ano passado, por exemplo, o Brasil exportou US$ 2,47 bilhões (81% mais ante 2021) ao bloco europeu. Em volume, as exportações alcançaram 527,8 mil toneladas, um salto de 31% em cinco anos.
A publicação da lista com a exclusão do País ontem reflete o desejo da UE de enviar um forte sinal de vigilância, após críticas do setor agrícola e da França à assinatura do acordo de livre-comércio do bloco com os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).
O acordo entrou em vigor em 1.º de maio, em caráter provisório, aguardando decisão judicial na Europa sobre sua legalidade. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
‘SURPRESA’. Em seu comunicado, o governo brasileiro disse que “recebeu com surpresa” a notícia da retirada do País da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia. “A decisão decorre do resultado da votação realizada hoje (ontem) no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. Vale ressaltar que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem normalmente”, explicaram os ministérios.
Segundo as normas europeias, o uso de antimicrobianos em animais para promover o crescimento ou aumentar a produção é proibido. Os animais também não podem ser tratados com antimicrobianos reservados a infecções humanas. Essas medidas fazem parte da política europeia de combate à resistência dos micróbios aos medicamentos e de evitar o uso desnecessário de antibióticos.
O governo brasileiro disse ainda que o chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia tem reunião agendada para esta quarta-feira com as autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a decisão.
“Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu”, concluíram as pastas na nota conjunta.
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